Advogada previdenciária destaca que falta de informação pode gerar prejuízos no acesso a benefícios e até na aposentadoria
Direto em pauta
No Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, a advogada previdenciária Paloma Barbosa chamou a atenção para um ponto muitas vezes negligenciado pelos brasileiros: o conhecimento sobre os próprios direitos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A especialista destacou que a relação entre trabalho e proteção previdenciária é direta e exige atenção contínua.
Segundo Paloma, cada contribuição feita ao longo da vida profissional representa um passo na construção de uma rede de proteção social. “Toda trajetória de trabalho está ligada à proteção que o trabalhador vai ter no futuro. Cada mês contribuindo pode fazer diferença em momentos de dificuldade, como doença, acidente ou na chegada da aposentadoria”, explicou.
A advogada ressaltou, no entanto, que muitos trabalhadores passam anos contribuindo sem compreender como isso impacta seus direitos. “Quando precisam do INSS, acabam descobrindo regras, prazos e exigências que nunca tinham ouvido falar”, afirmou.
Entre os principais direitos garantidos ao segurado estão benefícios como aposentadoria, auxílio-doença, auxílio-acidente, salário-maternidade e pensão por morte. No entanto, Paloma alerta que não basta apenas contribuir. “Cada benefício possui requisitos específicos, como tempo mínimo de contribuição, qualidade de segurado e forma de cálculo. É essencial entender como essas contribuições estão sendo registradas”, disse.

Outro ponto abordado foi a dificuldade enfrentada por muitos trabalhadores ao solicitar benefícios. De acordo com a especialista, falhas no histórico contributivo são comuns. “Pode acontecer de a empresa não recolher corretamente, vínculos não aparecerem no sistema ou salários serem registrados abaixo do valor real. Isso pode gerar atrasos ou até a negativa do benefício”, explicou.
Para trabalhadores com carteira assinada, a orientação é não confiar apenas no registro formal. A advogada recomenda o acompanhamento frequente do extrato previdenciário, disponível no site ou aplicativo “Meu INSS”. “É importante verificar se todos os vínculos e salários estão corretos. Corrigir erros recentes é muito mais fácil”, pontuou.
Já para os trabalhadores autônomos, o cuidado deve ser redobrado. Nesse caso, a responsabilidade pela contribuição é do próprio profissional. “Se não houver pagamento, o sistema entende que não há cobertura. Isso significa que, em situações como doença ou acidente, a pessoa pode ficar desamparada”, alertou.
A especialista também destacou que é comum aposentadorias serem concedidas com valores abaixo do que o trabalhador teria direito. “Às vezes são diferenças aparentemente pequenas, mas que, ao longo dos anos, representam perdas significativas”, afirmou. Ela lembrou ainda que é possível solicitar revisão do benefício em até dez anos após a concessão.
Como forma de evitar problemas, Paloma recomenda organização e planejamento. “Guardar documentos, acompanhar o cadastro, manter laudos médicos e buscar orientação especializada antes de dar entrada em qualquer pedido pode fazer toda a diferença”, orientou.
Ao final, a advogada deixou uma reflexão para os trabalhadores. “A previdência deve ser vista como parte do patrimônio. Cuidar disso desde cedo é garantir mais tranquilidade no futuro”, concluiu.