19/07/2026
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Economista avalia impactos de tarifa adicional de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros

Medida começa a valer em 22 de julho e pode afetar setores como máquinas agrícolas, papel, calçados e bens manufaturados; especialista alerta para possíveis reflexos nos custos e na inflação

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quinta-feira, 16 de julho de 2026 às 17:28
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O anúncio dos Estados Unidos de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros aumenta a tensão comercial entre os dois países e reacende o debate sobre os impactos da medida na economia nacional. A cobrança foi confirmada nesta quinta-feira (16), após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano, e começa a valer no dia 22 de julho.

Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia, o economista Gesner Brehmer avaliou que, apesar do impacto da decisão, a medida possui uma lista extensa de exceções. Segundo ele, produtos importantes da pauta de exportação brasileira ficaram fora da nova cobrança.

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“Esse tarifaço, embora ele assuste, se você for pegar nas entrelinhas, a gente tem uma série de exceções que acabam beneficiando tanto a economia norte-americana quanto a economia brasileira”, explicou.

Entre os produtos preservados da tarifa estão carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás natural, aeronaves, medicamentos, semicondutores, celulose, ferro-gusa e determinados minérios estratégicos. Por outro lado, setores como máquinas agrícolas, etanol, calçados, confecções, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, produtos químicos, bens de capital e manufaturados serão atingidos pela sobretaxa.

Para Gesner, um dos principais pontos de preocupação está no agronegócio brasileiro, especialmente por causa do aumento do custo de aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas.

“Quando a gente trata do agronegócio brasileiro, que é a principal força do nosso país, a partir do momento em que há um aumento desse custo de aquisição de maquinário agrícola, vai gerar, sim, um impacto nos aumentos de custos do agronegócio”, afirmou.

O economista também destacou que os efeitos podem alcançar setores da economia baiana, principalmente no extremo oeste do estado, região marcada pela forte presença do agronegócio.

Segundo ele, o aumento dos custos pode desencadear uma cadeia de impactos sobre os preços.

“Aumento do preço gera inflação e, por aí vai, uma cadeia de eventos que vão acontecendo”, disse.

Questionado sobre a possibilidade de o Brasil redirecionar as exportações para outros mercados, o economista destacou que a China já é o principal parceiro comercial brasileiro. No entanto, ele alertou que uma concentração ainda maior das exportações em um único país pode gerar novos riscos.

“A economia é um cobertor curto. Se você cobre o peito, fica com o pé de fora. Se você cobre o pé, fica com o peito fora”, comparou.

Para Gesner, caso a produção que deixe de ser exportada para os Estados Unidos seja direcionada em grande parte para a China, o Brasil poderá ampliar a dependência econômica do país asiático.

“A gente já tem muitas discussões sobre até que ponto a economia brasileira hoje está dependente da China. E, caso essa pauta de exportação se direcione para lá, certamente esse debate vai aumentar”, avaliou.

A tarifa começa a valer em 22 de julho, o que ainda deixa uma janela para novas negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Na avaliação do economista, o resultado dependerá da postura dos governos e da disposição dos líderes em reduzir a tensão.

“Eu sou preso sempre pela diplomacia e pela institucionalidade. Então, eu acho que na hora que os adultos entram na sala, é hora que se tem um ‘basta’”, declarou.

Gesner também lembrou que Brasil e Estados Unidos possuem mais de dois séculos de relações históricas e institucionais, o que poderia favorecer uma saída negociada.

“São países que têm razões diplomáticas muito fortes para se ajudarem, possuem laços históricos e institucionais muito profundos, mas vai depender muito da postura dos líderes”, afirmou.

Outro ponto destacado pelo economista foi o contexto político de 2026. Para ele, a proximidade das eleições pode fazer com que o tarifário seja utilizado politicamente tanto pelo governo brasileiro quanto pela oposição.

“É inegável que o governo Lula parece ter identificado que essa pauta é contra uma soberania externa, contra uma influência externa no país. Então, tudo isso gera ganhos para quem está no poder”, disse.

Na avaliação de Gesner, o governo pode tentar associar a medida à oposição e utilizar o episódio para reforçar um discurso de defesa da soberania nacional.

“Eu acredito que ele, como um bom político, vai usar isso a seu favor. Vai tentar colar na oposição esse tarifácio, porque percebe que isso capitaliza as suas intenções de voto”, afirmou.

A decisão dos Estados Unidos também ocorre em meio à manutenção de tarifas anteriores sobre produtos como aço, alumínio e cobre. Além disso, outra investigação comercial norte-americana pode resultar em uma nova cobrança de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras. Caso as medidas sejam aplicadas ao mesmo produto, a sobretaxa pode chegar a 37,5%.

Para Gesner, o cenário ainda está em aberto e os próximos capítulos dependerão do equilíbrio entre interesses econômicos e decisões políticas.

“Tudo vai depender do quanto a política vai sobressair à lógica diplomática”, concluiu.

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