Queda de 1,19% nos produtos do café da manhã em junho é considerada discreta; Rafael Almeida destaca que redução não muda cenário de alta dos alimentos.
Apesar da redução nos preços de alguns produtos do café da manhã em junho, a queda ainda é considerada discreta e não representa uma mudança significativa no custo da alimentação na Bahia. A avaliação é do economista e professor Rafael Almeida, que analisou os dados mais recentes da cesta básica de Salvador, divulgados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).
Segundo o levantamento, a cesta básica da capital baiana ficou 0,80% mais barata em junho, passando a custar R$ 651,78. Entre os itens relacionados ao café da manhã, a redução foi de 1,19%. O grupo representa 31,81% do valor total da cesta.
Para Rafael, no entanto, o resultado não deve ser interpretado como uma queda expressiva no custo da alimentação.
“Os produtos que compõem o café da manhã apresentaram uma redução de apenas 1,19%, que é bastante discreta. E, se a gente pegar o acumulado do ano de 2026, de janeiro até junho, há um aumento de preço dos produtos que compõem o café da manhã”, explicou.
Os maiores recuos registrados em junho foram nos preços do queijo mussarela e do pão francês. O queijo apresentou redução de 4,77%, enquanto o pão francês ficou 4,25% mais barato.
O economista, porém, chama atenção para o comportamento de outros produtos semelhantes e para os custos das matérias-primas. Segundo ele, o queijo prato, por exemplo, apresentou alta no mesmo período, o que pode indicar um processo de substituição no consumo.
“O queijo prato, no mesmo boletim, apresentou um aumento significativo de preço. Então, provavelmente foi um processo de substituição que gera essas variações de preço”, analisou.
Rafael também destacou que a queda no preço do queijo mussarela não está diretamente relacionada à redução do custo do leite, matéria-prima do produto. Pelo contrário, o leite acumulou alta ao longo de 2026.
Situação semelhante ocorre com o pão francês. Mesmo com a queda no preço do produto, o trigo em grão, utilizado como matéria-prima, registrou aumento acumulado no ano. Para o economista, o movimento pode estar relacionado ao aumento da concorrência no varejo.
“Esse reajuste, essa queda do preço do produto não é causada por variações de preço da sua matéria-prima. Provavelmente, no caso do pão, isso está sendo causado por um aumento da concorrência no setor de varejo”, afirmou.
A análise ocorre em um cenário de desaceleração da inflação oficial brasileira. Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16%, o menor resultado desde outubro de 2025. O grupo Alimentação e Bebidas apresentou deflação de 0,24%, com queda nos preços de produtos como café moído, frutas, carnes, tomate, óleo de soja e açaí.
Ainda assim, na Bahia, o acumulado da cesta básica de Salvador entre janeiro e junho aponta para uma alta de 12,55%. Para Rafael Almeida, o dado reforça que a alimentação continua pesando no orçamento das famílias.
“Não há algo significativo relacionado à variação de preço dos produtos que compõem o café da manhã. Inclusive, a cesta básica total, de janeiro até junho, apresentou um crescimento significativo do preço. A alimentação está ficando mais cara aqui na Bahia. Essa é a conclusão”, concluiu.
Em junho, os produtos associados ao almoço do soteropolitano, como feijão, arroz, carnes, farinha de mandioca, tomate e cebola, tiveram redução de 0,53%. O levantamento da SEI foi feito a partir de 3.397 cotações em 89 estabelecimentos comerciais de Salvador.