19/07/2026
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EUA oficializam nova tarifa sobre produtos brasileiros e ampliam tensão comercial com o Brasil

Medida entra em vigor no próximo dia 22, atinge cerca de US$ 15 bilhões em exportações e pode elevar custos para diversos setores da indústria brasileira.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quinta-feira, 16 de julho de 2026 às 07:10
Imagem de EUA oficializam nova tarifa sobre produtos brasileiros e ampliam tensão comercial com o Brasil

Os Estados Unidos anunciaram oficialmente a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos exportados pelo Brasil. A medida, confirmada nesta quinta-feira (16), foi adotada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e começa a valer em 22 de julho.

De acordo com uma estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a nova cobrança poderá atingir aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano. Produtos que já estiverem a caminho do mercado norte-americano antes da data de início da tarifa ficarão isentos da nova taxação.

Embora a medida alcance uma ampla lista de mercadorias, alguns dos principais produtos vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos permaneceram fora da cobrança. Entre eles estão carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás natural, aeronaves, medicamentos, semicondutores, celulose, ferro-gusa e determinados minérios considerados estratégicos para a economia americana.

Por outro lado, setores como o de máquinas agrícolas, etanol, calçados, confecções, equipamentos de mineração, papel, açúcar orgânico, produtos químicos, bens de capital e manufaturados passarão a recolher a tarifa adicional de 25%.

Segundo o governo dos Estados Unidos, a decisão foi tomada com base na Seção 301 da legislação comercial do país, que permite a adoção de medidas contra parceiros considerados responsáveis por práticas comerciais consideradas prejudiciais. Entre as justificativas apresentadas estão questionamentos sobre o sistema de pagamentos Pix, barreiras ao etanol americano, desmatamento ilegal e ações de combate à pirataria.

Washington informou ainda que a sobretaxa poderá ser revista caso o Brasil promova mudanças nas questões apontadas durante a investigação.

Além dessa nova cobrança, permanecem em vigor tarifas aplicadas anteriormente sobre produtos como aço, alumínio e cobre. Paralelamente, os norte-americanos mantêm outra investigação comercial envolvendo possíveis casos de trabalho forçado, que poderá resultar em uma nova tarifa de 12,5% para parte das exportações brasileiras. Caso ambas sejam aplicadas ao mesmo produto, a sobretaxa poderá chegar a 37,5%.

A decisão aumenta a pressão nas relações comerciais entre os dois países. O governo brasileiro afirma que buscou negociar alternativas ao longo dos últimos meses, mas as conversas não avançaram. Agora, o Palácio do Planalto avalia possíveis medidas de reação, incluindo a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica e a continuidade das negociações diplomáticas para tentar reduzir os impactos da decisão.

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