11/06/2026
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De Olho na Cidade
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4 min de leitura

Empresário do Rei da Tilápia aponta desafios do setor gastronômico em Feira de Santana

Cláudio Lima fala sobre a trajetória do restaurante, técnicas para eliminar o “ranço” da tilápia, desperdício zero e a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sexta-feira, 15 de maio de 2026 às 19:45
empresário Claudio Lima, sorrindo e sentado no estúdio de gravação da Rádio Sociedade. Ele é um homem negro, com cabelos bem curtos, bigode fino e usa aparelho ortodôntico nos dentes. Ele veste uma camisa polo laranja vibrante, que traz do lado esquerdo do peito um logotipo com a inscrição "REI DA TILÁPIA" e o subtítulo "Petiscaria e Restaurante".
Foto: De Olho na Cidade

O empresário Cláudio Lima, proprietário do restaurante Rei da Tilápia, em Feira de Santana, compartilhou os desafios enfrentados por quem atua no setor de bares e restaurantes no município. Durante entrevista ao programa De Olho na Cidade, ele falou sobre a trajetória do empreendimento, o diferencial no preparo dos pratos à base de peixe, a gestão para evitar desperdícios e a escassez de profissionais qualificados no segmento.

Localizado na Rua Porto Seguro, nº 40, no bairro Jardim Cruzeiro, o Rei da Tilápia se consolidou como referência gastronômica para os amantes de frutos do mar e carnes.

“É um prazer imenso estar aqui mais uma vez. Vamos falar um pouco dos desafios no segmento de bares e restaurantes em Feira de Santana”, afirmou Cláudio.

Apesar do nome do restaurante destacar a tilápia como carro-chefe, Cláudio explicou que o cardápio oferece uma ampla variedade de pratos.

“Não só temos a tilápia lá. Temos carne do sol com queijo coalho, moqueca de tucunaré, pescada amarela, peixe vermelho, além de churrasco e vários petiscos”, destacou.

Um dos pratos mais elogiados, segundo o empresário, é a moqueca de tucunaré.

“O tucunaré lá é surreal. Amanhã já estarei pegando tucunaré fresquinho para servir aos clientes”, garantiu.

A relação com o peixe nasceu na infância

Curiosamente, Cláudio revelou que, apesar de vir de uma família de pescadores, não gostava de peixe na infância justamente por causa do cheiro forte.

“Minha mãe, minha avó, meus tios eram pescadores, mas eu não conseguia comer peixe por conta do ranço. O único alimento que tínhamos muitas vezes era o peixe, mas aquilo me incomodava”, contou.

A experiência pessoal acabou influenciando diretamente o modelo de negócio.

“Eu falei: um dia, quando tiver um restaurante, vou tirar esse ranço do peixe”, lembrou.

Após anos de testes e aperfeiçoamento, ele afirma ter desenvolvido técnicas próprias no preparo da tilápia.

“Muitas pessoas acham que peixe é só limão e vinagre, mas não é. A tilápia tem muitos detalhes no preparo. A cada 60 quilos de peixe são quatro horas de trabalho tratando até chegar ao ponto ideal”, explicou.

Segundo o empresário, o resultado transformou a percepção dos clientes.

“Lá no restaurante, 50% dos clientes não comiam tilápia. Depois começaram a descobrir que lá não tem aquele ranço desagradável”, disse.

Rei da Carne do Sol virou Rei da Tilápia

Cláudio revelou ainda que o restaurante nem sempre teve o peixe como protagonista. O empreendimento começou no delivery com outro nome.

“Na verdade, no início era o Rei da Carne do Sol, porque eu já vinha da área do churrasco, fazia eventos e churrasco a domicílio”, explicou.

Com o sucesso da tilápia no cardápio, o peixe acabou se tornando a principal identidade do restaurante.

“Quando consegui chegar ao preparo ideal da tilápia, coloquei no cardápio. Aí o nome que ficou mesmo foi Rei da Tilápia”, afirmou.

Outro desafio citado pelo empresário é a gestão de alimentos perecíveis. Para evitar desperdício, Cláudio aposta no preparo sob demanda.

“Eu via muita perda de alimentos nos restaurantes. Então falei: se o preparo for na hora, vamos evitar essa perca”, disse.

Segundo ele, nenhum item é preparado antecipadamente.

“Tudo lá é feito na hora. Se o cliente pedir um vinagrete, a gente corta o tomate na hora. Graças a Deus, não temos desperdício”, destacou.

Falta de mão de obra preocupa empresários

Cláudio também chamou atenção para um problema frequente enfrentado pelos empresários do ramo alimentício em Feira de Santana: a dificuldade de encontrar profissionais qualificados.

“Nesse momento estamos passando por um probleminha nessa área de qualificação e de pessoal para trabalhar”, relatou.

O empresário lamentou o fim de cursos profissionalizantes que ajudavam a formar garçons, bartenders e outros profissionais.

“Passei três anos no Senac, que qualificava garçons e barman. É uma pena que acabou. Muitos bares e restaurantes estão nessa carência de profissionais”, afirmou.

Cláudio reforçou o convite para quem ainda não conhece o restaurante.

“O Rei da Tilápia fica na Rua Porto Seguro, número 40, no Jardim Cruzeiro. A tilápia é diferente das iguais: crocante por fora e suculenta por dentro”, convidou.

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