10/05/2026
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Entre a clínica e a criação do filho, médica destaca desafios da maternidade solo

Neste Dia das Mães, a história de Dra. Aline reflete a realidade de muitas mulheres que dividem a maternidade com múltiplas jornadas

Por Victória Silva
domingo, 10 de maio de 2026 às 17:39
Retrato em plano médio de uma mulher de pele clara e longos cabelos castanhos com luzes, sorrindo suavemente para a câmera. Ela veste um blazer branco sobre uma blusa preta e usa um colar dourado delicado. O fundo é composto por uma parede azul lisa, com parte de um corredor e um quadro visíveis à esquerda.
Foto: JP Miranda

No clima de Dia das Mães, a nutróloga Aline Jardim abriu o coração e compartilhou a rotina de quem divide a vida entre a medicina e a maternidade solo. Mãe de Caio, de 17 anos, ela contou que, no ambiente da rádio onde participa semanalmente, acabou ganhando um novo “título” carinhoso.

“Na rádio eu não sou mais chamada de doutora Aline Jardim. Aqui eu virei a mãe do Caio”, disse.

Segundo ela, a brincadeira surgiu da curiosidade dos colegas sobre a vida do adolescente.

“Sempre tem novidade. Adolescente é isso, toda semana tem um episódio diferente para contar”, completou.

Maternidade, carreira e a fase de mudanças

Dra. Aline relembrou o início da maternidade e como conciliava a criação do filho com a vida profissional. Na época, ela ainda atuava como farmacêutica e administrava uma farmácia própria.

“Caio foi amamentado exclusivamente no leite materno. Eu consegui me dedicar muito no começo. Mas quando ele tinha um ano e meio, entrei na faculdade de medicina e precisei interromper a amamentação. Foi um momento difícil”, contou.

Ela destaca que, mesmo com a rotina intensa, sempre buscou acompanhar de perto o crescimento do filho.

“Ele foi uma criança muito tranquila, nunca me deu muito trabalho. Gostava muito de ler, devorava livros. Passava horas com gibis e depois com livros infantis.”

Responsável integral pela criação do filho, Dra. Aline fala abertamente sobre os desafios de ser mãe solo e a pressão emocional que isso traz.

“Eu sempre sustentei 100% o Caio. Não tive apoio do lado paterno. Então, precisei me dedicar muito ao trabalho para dar conta de tudo”, explicou.

Ela reconhece o conflito constante entre vida profissional e presença materna.

“A gente se cobra o tempo todo. Será que estou trabalhando demais? Será que estou deixando meu filho sozinho? É uma culpa que toda mãe sente.”

Para lidar com isso, Dra. Aline diz que busca conselhos com pessoas mais experientes.

“Conversei muito com meus pais, com colegas médicos mais velhos. Isso me ajudou a entender que cada fase tem seu equilíbrio.”

Apesar da rotina intensa, ela destaca que sempre fez questão de participar da vida escolar do filho.

“Eu ia às festinhas, reuniões, participava de tudo. Hoje é diferente, mas a escola entende minha agenda e facilita os encontros.”

Ser mãe de adolescente: uma nova fase da maternidade

Se a infância exigiu cuidado constante, a adolescência trouxe outros desafios, segundo a nutróloga.

“Ser mãe de adolescente é outra modalidade. Quando ele era pequeno, era mais dependente. Agora, com 17 anos, ele acha que já pode tudo, que já é adulto”, relatou.

Dra. Aline admite que tenta não repetir cobranças que recebeu na própria juventude. O diálogo dentro de casa é constante.

“Eu pergunto o que ele quer fazer, ele diz que pensa em Medicina, mas não sei se é vontade dele ou influência minha. Isso é algo que estamos trabalhando juntos.”

Pensando no futuro do filho, Dra. Aline defende que a decisão profissional seja construída com calma e apoio.

“Não quero que ele escolha uma profissão sem certeza. É uma decisão para a vida toda”, afirmou.

Ela revela que o acompanhamento emocional também está sendo considerado.

“Estamos buscando apoio, inclusive terapia, para ajudá-lo a entender melhor o que realmente quer.”

Para a médica, o mais importante é que Caio encontre um caminho alinhado com propósito e bem-estar.

“Se ele fizer algo que goste e que também traga estabilidade financeira, já será um grande equilíbrio.”

Um Dia das Mães de reflexão

Dra. Aline resumiu o sentimento de viver a maternidade em meio a tantas responsabilidades.

“Ser mãe é uma construção diária. A gente erra, acerta, se cobra muito, mas sempre tenta fazer o melhor”, disse.

Entre a rotina de atendimentos, estudos e decisões importantes, ela reforça o orgulho da trajetória com o filho.

“Eu tenho muito orgulho do Caio e de tudo que a gente construiu juntos.”

*Com informações do repórter JP Miranda

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