Advogado ambiental defende alternativas silenciosas nas celebrações juninas
Com a chegada do período junino, o uso de fogos de artifício volta a ser tema de debate, especialmente em relação aos impactos dos estampidos sonoros. O alerta foi feito pelo advogado especialista em direito ambiental, Ramon Camurugy, que chama atenção para os efeitos desse tipo de comemoração em animais e grupos sensíveis ao ruído.
Segundo ele, embora os fogos sejam tradicionalmente associados à festa e celebração, o barulho intenso pode causar sofrimento significativo.
“Embora muitas pessoas associem o barulho à tradição e à comemoração, é preciso lembrar que esses estampidos podem causar grande sofrimento a grupos vulneráveis, como cães e gatos”, afirmou.
O especialista explica que a sensibilidade auditiva dos animais faz com que eles reajam com pânico a ruídos altos e repentinos, o que pode gerar consequências graves.
“Esses animais possuem uma audição muito mais sensível que a humana. Frequentemente entram em estado de pânico. Não são raros os casos de fugas, acidentes, automutilações, crises de ansiedade e até mortes decorrentes desse estresse provocado pelos fogos”, destacou.

Dr. Ramon também chama atenção para os impactos em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de idosos, bebês e pacientes hospitalizados, que podem sofrer com a poluição sonora.
“Muitas pessoas autistas apresentam hipersensibilidade auditiva e podem sofrer crises de ansiedade, desregulação emocional, medo intenso e sofrimento significativo diante de ruídos de alta intensidade”, explicou.
No campo jurídico, ele lembra que a discussão já avançou em diversas regiões do país, com leis que restringem ou proíbem fogos com estampido. Em alguns casos, apenas os modelos silenciosos são permitidos.
“Diversos municípios brasileiros já aprovaram leis restringindo ou proibindo fogos com estampido, permitindo apenas aqueles com iluminação”, disse.
O advogado cita exemplos como cidades da Bahia e até legislações em outros estados, como Alagoas, onde há proibição mais ampla envolvendo comercialização e uso.
Apesar das restrições, Dr. Ramon ressalta que não se trata de acabar com as festas juninas, mas de adaptar a tradição com mais responsabilidade e respeito.
“Não se trata de acabar com a festa junina ou com a tradição nordestina. Hoje existem alternativas modernas, como fogos silenciosos, que mantêm o espetáculo visual sem causar sofrimento”, afirmou.
Ele também lembra que a legislação ambiental prevê punições para maus-tratos e defende maior conscientização da população.
“Celebrar é muito importante, mas celebrar com respeito, empatia e responsabilidade é ainda melhor. A verdadeira festa é aquela que todos podem participar sem sofrimento”, concluiu.
O especialista fez com um apelo por uma comemoração mais inclusiva.
“Precisamos incluir crianças com autismo, idosos, pessoas doentes e também os animais. Um excelente São João a todos, que seja um espetáculo luminoso, e não de sofrimento”, disse.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim