Consumidores devem analisar orçamento antes de parcelar dívidas no Desenrola 2.0
O programa Desenrola Brasil 2.0, anunciado pelo Governo Federal, voltou ao centro das discussões sobre educação financeira após a publicação da portaria do Ministério da Fazenda que regulamenta a medida provisória do programa. A iniciativa tem como objetivo facilitar a renegociação de dívidas de brasileiros que recebem até cinco salários mínimos, oferecendo descontos que podem chegar a 90%.
Em entrevista ao De Olho na Cidade, o especialista em educação financeira e mercado imobiliário Bruno Dias explicou como o programa funciona e destacou a importância do planejamento financeiro para evitar um novo ciclo de endividamento.

Segundo Bruno, o Desenrola surge em um momento em que muitas famílias brasileiras enfrentam dificuldades devido à inflação e à perda do poder de compra.
“Nos últimos dias, os noticiários têm mostrado que os brasileiros estão cada vez mais endividados. O preço de tudo aumentou e a renda não acompanhou. Muitas pessoas acabaram utilizando cartão de crédito e empréstimos como uma segunda renda”, afirmou.
O especialista explicou que o programa é voltado para pessoas com renda de até cinco salários mínimos, atualmente em torno de R$ 8.105.
As dívidas contempladas incluem cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais, justamente as modalidades que mais concentram inadimplência no país.
“Hoje o cartão de crédito é um dos maiores responsáveis pelo endividamento das famílias”, destacou.
De acordo com Bruno, os descontos previstos variam entre 30% e 90%, dependendo da instituição financeira e do perfil da dívida.
“O ideal é que a pessoa faça uma lista de todas as dívidas e procure cada instituição financeira para verificar quais estão enquadradas no programa e qual o desconto disponível”, orientou.
Ele também alertou para golpes envolvendo mensagens falsas enviadas por SMS ou aplicativos.
“O recomendado é procurar diretamente os canais oficiais das instituições financeiras, seja aplicativo, site ou agência bancária.”
O programa também permite parcelamento das dívidas em até 48 vezes, com juros de até 1,99% ao mês. Apesar disso, Bruno ressaltou que o consumidor precisa avaliar cuidadosamente sua capacidade de pagamento antes de assumir novos compromissos financeiros.
“Tem pessoas que se empolgam e negociam todas as dívidas sem planejamento. Mas é preciso entender se, nos meses seguintes, haverá renda disponível para pagar essas parcelas.”
O especialista lembrou ainda que despesas anuais, como IPTU, IPVA e anuidades profissionais, também precisam entrar no cálculo financeiro.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a possibilidade de utilizar recursos do FGTS para quitar dívidas. Para Bruno, a decisão deve ser analisada com cautela.
“O FGTS é uma garantia do trabalhador. Hoje a pessoa está empregada, mas amanhã pode não estar. Então é importante avaliar todo o cenário antes de utilizar esse recurso.”
Na avaliação do especialista, o Desenrola pode representar uma oportunidade de recomeço, mas não resolve sozinho o problema do endividamento.
“Para algumas pessoas será uma solução definitiva. Para outras, apenas momentânea. Se não houver mudança de comportamento e controle financeiro, a pessoa pode voltar a se endividar.”
Bruno afirmou que um dos principais erros cometidos pelos consumidores é não identificar a origem das dívidas.
“É necessário entender qual comportamento levou àquela dívida. Muitas vezes é compra por impulso, falta de planejamento ou até tentativa de resolver problemas emocionais através do consumo.”
O especialista também explicou que pessoas com renda baixa conseguem sair das dívidas, embora o processo seja mais lento e, em alguns casos, exija uma renda complementar.
“Muitas vezes a renda disponível após pagar as despesas básicas é muito pequena. Então pode ser necessário buscar uma renda extra para acelerar o processo de quitação.”
Ele recomendou que os consumidores passem a registrar todas as despesas mensais, utilizando aplicativos, planilhas ou até anotações em caderno.
“O primeiro passo é saber exatamente para onde o dinheiro está indo. Quando você entende seus gastos, consegue criar estratégias para economizar.”
Bruno ressaltou que, após quitar as dívidas, o ideal é construir uma reserva financeira para enfrentar imprevistos.
“Depois de sair das dívidas, o próximo objetivo deve ser criar uma reserva financeira. Ela será fundamental para evitar novos endividamentos em situações inesperadas.”
O especialista também divulgou seus canais de orientação financeira (brunodiasb4oficial) e informou que oferece cursos e materiais gratuitos sobre organização financeira e planejamento pessoal.