Levantamentos apontam que jovens estão redescobrindo a experiência presencial de compra, enquanto o comércio investe em ambientes mais atrativos e integrados às redes sociais
Nascida em meio à revolução tecnológica, a Geração Z sempre foi associada ao consumo digital. No entanto, pesquisas recentes mostram uma mudança de comportamento que tem chamado a atenção do varejo. Apesar de continuarem conectados às redes sociais e plataformas online, os jovens estão voltando a frequentar lojas físicas, shoppings e centros comerciais em busca de experiências que vão além da simples aquisição de produtos.
Levantamentos recentes, incluindo relatórios do The Wall Street Journal, indicam que 62% das compras realizadas por consumidores entre 18 e 24 anos em 2025 ocorreram em lojas físicas. O movimento contraria a expectativa de que os nativos digitais migrariam quase totalmente para o comércio eletrônico.
Para o presidente do Sicomércio Feira de Santana, Marco Silva, o fenômeno representa uma busca por equilíbrio entre o universo digital e as relações presenciais.

“Estamos presenciando um novo ciclo nos hábitos de compra das pessoas. Os jovens continuam muito conectados às redes sociais, mas estão resgatando o costume da compra presencial. Eles procuram shopping centers e centros de cidade que ofereçam experiências, como cafeterias, bibliotecas, espaços de leitura e convivência. Sentiram a necessidade de se reencontrar e se reconectar com as pessoas”, afirmou.
Segundo ele, a tendência já foi observada inicialmente nos Estados Unidos e começa a ganhar força também no Brasil.
“O mundo estava caminhando muito para o digital e acabamos perdendo parte das relações humanas. O que vemos agora é uma busca por equilíbrio. Não significa abandonar a tecnologia, mas unir o digital ao presencial”, destacou.
De acordo com Marco Silva, os empresários têm acompanhado de perto as transformações no comportamento do consumidor. Após participar de eventos e cursos voltados ao varejo, incluindo debates inspirados nas tendências apresentadas pela NRF, considerada a maior feira mundial do setor, o comércio local passou a discutir formas de atender às novas expectativas dos clientes.
“O comércio tem um diferencial em relação ao modelo cem por cento digital: a loja física, o atendimento, a referência e a segurança para o consumidor. Isso precisa ser valorizado”, explicou.
Uma das estratégias adotadas é a criação de ambientes mais atrativos e interativos.
“Hoje as lojas precisam ter o que chamamos de ambientes instagramáveis. O cliente quer ver o produto, tocar, experimentar, mas também quer tirar fotos, produzir conteúdo e compartilhar essa experiência nas redes sociais. O desafio é transformar essas experiências em consumo”, ressaltou.
A estudante de Direito Carolina Prates, de 22 anos, faz parte da geração que cresceu conectada à internet, mas afirma que prefere realizar compras presencialmente, principalmente quando se trata de roupas.

“O jovem ainda prefere comprar em lojas físicas porque gosta da experiência de sair, passear no shopping e ver os produtos pessoalmente. Quando você vai à loja, consegue experimentar, ver o tecido e analisar como a peça realmente fica no corpo”, relatou.
Para ela, a possibilidade de avaliar a qualidade do produto e sair da loja já com a compra em mãos pesa na decisão.
“Eu prefiro escolher roupas em lojas presenciais porque consigo provar, analisar a qualidade e já levar a peça na hora”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Carolina reconhece a influência das redes sociais no processo de consumo.
“Muitas vezes busco inspirações, acompanho tendências e vejo indicações de lojas presenciais da minha cidade. Pesquiso no Instagram o modelo da peça que me interessa e depois vou até a loja para verificar e experimentar. Hoje as redes sociais influenciam bastante o consumo e até os lugares que as pessoas escolhem frequentar”, disse.
Especialistas apontam que o retorno dos jovens às lojas físicas está ligado à valorização da experiência. Além da compra, os consumidores procuram interação social, entretenimento e contato direto com os produtos.
Esse comportamento também impulsiona o chamado "webrooming", prática em que o consumidor pesquisa preços e características na internet, mas prefere concluir a compra presencialmente.
Para Marco Silva, o movimento deve continuar crescendo nos próximos anos.
“O cliente vai continuar utilizando a internet para conhecer produtos e comparar preços, mas também vai querer a experiência direta com o produto. Esse é o diferencial que o lojista que possui uma loja física precisa explorar cada vez mais”, concluiu.
*Com informações da repórter Isabel Bomfim