Planalto considera medida comercial sem justificativa, recorrerá a organismos internacionais e aponta influência política de aliados de Bolsonaro no agravamento da crise.
O governo federal elevou o tom contra a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros. Em posicionamento divulgado nesta quinta-feira (16), o Palácio do Planalto afirmou que a medida não tem respaldo técnico, classificou a iniciativa como prejudicial às relações comerciais entre os dois países e informou que adotará medidas para contestar a decisão.
Na manifestação oficial, o Executivo argumenta que os dados do próprio governo norte-americano mostram que os Estados Unidos registram saldo positivo na balança comercial com o Brasil, o que, segundo a gestão federal, enfraquece qualquer justificativa para a imposição de novas barreiras tarifárias.
O documento também rebate questionamentos feitos por Washington envolvendo o sistema de pagamentos Pix, a regulamentação das plataformas digitais e as políticas ambientais brasileiras. Para o governo, esses temas não justificam sanções comerciais e devem ser tratados dentro das regras estabelecidas pelos organismos internacionais.
Como resposta, o Brasil informou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC), utilizará os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e buscará ampliar as relações comerciais com outros mercados, além de adotar ações para reduzir os impactos sobre os setores exportadores.
A nota ainda traz críticas ao grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O Planalto sustenta que integrantes da família Bolsonaro e aliados contribuíram para o cenário que resultou nas medidas adotadas pelos Estados Unidos, acusando-os de agir em desacordo com os interesses do país. Ao encerrar o comunicado, o governo reafirma o compromisso de defender a soberania nacional e preservar a economia brasileira diante da decisão norte-americana.