Especialista aponta crescimento da oposição, alto índice de rejeição e tendência de repetição da polarização eleitoral no país
Uma nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), indica um cenário de forte polarização na disputa presidencial. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico em um eventual segundo turno.
De acordo com os dados, Flávio aparece numericamente à frente, com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Outros 16% declararam voto branco ou nulo, enquanto 2% estão indecisos.
O economista professor Amarildo Gomes, comentarista político e especialista em pesquisas eleitoriais, avaliou o cenário e destacou a importância de analisar diferentes institutos.
“Pesquisa é uma média. Você tem que pegar cinco, seis institutos e fazer uma média. Quando você faz isso, você acerta mais”, afirmou.
Ele citou institutos como Datafolha e Paraná Pesquisas, ressaltando que, apesar das diferenças metodológicas, os resultados vêm apontando tendências semelhantes.
“Todos esses que estão apresentando pesquisas nacionais estão dentro de uma média. Ou seja, o governo Lula está perdendo fôlego e a oposição está ganhando espaço”, analisou.
Apesar do crescimento da oposição, o especialista pondera que o cenário ainda não está definido.
“Se fosse hoje, ainda não dá para dizer que o governo perderia. Mas a tendência, se continuar como está, é de perda de espaço”, disse.
Segundo ele, a fragmentação de candidaturas pode influenciar diretamente o resultado. Nomes como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem como alternativas, além do estreante Augusto Cury.
Ainda assim, Amarildo acredita que a polarização deve prevalecer.
“Quem votou em Lula tende a votar em Lula e quem votou em Bolsonaro tende a votar em Bolsonaro. É uma repetição da eleição passada, não tem nada de novo”, afirmou.
O especialista também fez críticas à condução econômica do país, apontando alto endividamento e dificuldades estruturais.
“Nós estamos vivendo crises sobre crises. A economia do Brasil não anda porque a estrutura não funciona como está. O governo aposta em gerar despesa, e isso aumenta a dívida e os juros”, disse.
Ele destacou ainda o impacto do endividamento das famílias brasileiras.
“Mais de setenta milhões de pessoas estão endividadas. Com juros altos, a dívida cresce e o cidadão não consegue sair dessa situação”, explicou.
Sobre a possibilidade de reação do governo durante a campanha, Amarildo foi cauteloso ao avaliar o impacto do horário eleitoral.
“Quem está com a máquina do governo tinha que estar na frente agora. Se está perdendo fôlego, a tendência é continuar perdendo”, afirmou.
A pesquisa também mostra altos índices de rejeição entre os principais nomes, mas, mesmo assim, a preferência do eleitorado continua concentrada.
Para o especialista, isso reflete um comportamento histórico do eleitor brasileiro.
“No Brasil, as pessoas votam para tirar o outro, não escolhem por princípio ou capacidade”, disse.
Ele ainda destacou que novos nomes enfrentam dificuldades por falta de estrutura e tempo de exposição.
“Os nomes novos não têm estrutura para chamar atenção da população. O horário eleitoral ainda é decisivo”, concluiu.
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