Unidade fortalece a humanização do nascimento, investe na orientação durante o pré-natal e busca reduzir cesarianas realizadas sem indicação clínica.
A Fundação Hospitalar de Feira de Santana tem intensificado as ações para fortalecer a assistência obstétrica no Hospital da Mulher, com foco na humanização do parto e na redução das cesarianas sem indicação clínica. Segundo a presidente da instituição, Gilberte Lucas, o aumento das cesáreas preocupa e reforça a necessidade de ampliar a conscientização durante o pré-natal.
De acordo com ela, embora muitas pessoas acreditem que o Hospital da Mulher priorize o parto normal apenas por uma questão de rotina, a estratégia é baseada em evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Existem dados que provam a importância do parto normal. A cesárea não deixa de ser uma cirurgia de grande porte, com maior risco de infecção e um pós-operatório mais complicado. O parto normal traz mais segurança para a mãe e para o bebê", afirmou.
Atualmente, os números da unidade mostram uma inversão do cenário esperado: 53% dos partos realizados são cesáreas e 47% são partos normais. Para Gilberte, o dado exige atenção.
"Precisamos fazer esse alerta da importância do parto normal. A OMS recomenda uma taxa de 15% de cesarianas, mas o Brasil já ultrapassa muito esse percentual."
A presidente explica que boa parte da decisão pela cesárea é construída ainda durante o acompanhamento da gestação, principalmente quando o pré-natal é realizado na rede privada.
"Muitas gestantes fazem todo o pré-natal ouvindo que o parto será cesárea. Quando chegam ao hospital, esse já é o desejo delas. Nosso papel é apresentar todas as informações e garantir que essa escolha seja consciente."
Para enfrentar esse cenário, o Hospital da Mulher investe na capacitação de enfermeiras obstetras, no fortalecimento da assistência humanizada e no acompanhamento das gestantes desde o pré-natal, incluindo a atuação da Casa de Parto, no bairro Feira VII.
Além disso, durante o atendimento na emergência obstétrica, a equipe orienta cada paciente sobre os benefícios do parto normal. Nos casos em que a gestante opta pela cesariana por vontade própria, a decisão é formalizada por meio de um documento de consentimento.
"A equipe explica que o parto normal é a melhor opção quando não há indicação clínica para a cesárea, mas o desejo materno é um direito que também precisa ser respeitado."
Entre as iniciativas adotadas estão a presença de enfermeiras obstetras especializadas, o incentivo ao acompanhante durante o trabalho de parto e protocolos voltados para tornar o nascimento mais seguro e acolhedor.
Para Gilberte Lucas, reduzir cesarianas desnecessárias também significa melhorar os indicadores de saúde materno-infantil.
"Quando falamos de parto normal, diminuímos os riscos para a mãe e para o recém-nascido. São ações que impactam diretamente na qualidade da assistência."