Senador baiano prestará esclarecimentos em agosto; defesa nega irregularidades e afirma que não houve prática ilícita
O senador Jaques Wagner (PT-BA) foi intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento no dia 7 de agosto no inquérito que investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras relacionado ao Banco Master. O parlamentar afirma que não cometeu qualquer irregularidade e diz estar à disposição para colaborar com as investigações.
A apuração da Polícia Federal busca esclarecer a existência de um possível sistema de favorecimentos envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. Conforme os investigadores, há suspeitas de que vantagens econômicas teriam sido direcionadas ao senador por meio de familiares, pessoas próximas e empresas ligadas ao grupo empresarial investigado.
As investigações ganharam novo desdobramento em 18 de junho, quando Jaques Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão durante uma etapa da Operação Compliance Zero. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou restrições relacionadas às atividades econômicas do parlamentar.
Entre os pontos analisados pela PF está a aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador. Segundo a investigação, Wagner teria informado ao empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master, os detalhes da unidade e do valor do imóvel. A suspeita é de que o pagamento tenha sido realizado pelo empresário.
Em entrevista à BandNews, o senador explicou que pretendia comprar o imóvel para presentear a filha. Segundo ele, a intenção era adquirir posteriormente o apartamento, já que, naquele momento, não possuía recursos suficientes para concluir a negociação.
Além do imóvel, a Polícia Federal também investiga pagamentos feitos a uma empresa pertencente à nora de Jaques Wagner e a aquisição de ingressos para um espetáculo no exterior. Para os investigadores, esses fatos podem representar benefícios concedidos em troca de favorecimentos ao grupo econômico sob investigação.
Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça destacou que os elementos reunidos até o momento indicam a possibilidade de recebimento indireto de vantagens econômicas pelo senador, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao Banco Master.
Após o avanço da investigação, Jaques Wagner deixou a função de líder do governo Lula no Senado. De acordo com pessoas próximas ao parlamentar, a medida teve como objetivo permitir dedicação integral à defesa e reduzir impactos políticos ao governo durante o período que antecede as eleições.