Defesa alega risco de comprometimento da imparcialidade dos jurados em Feira de Santana
O julgamento dos acusados pela morte de Kauan Gomes Araújo de Souza, de 20 anos, que estava marcado para esta quinta-feira (13), em Feira de Santana, foi adiado. A suspensão ocorreu em razão de um pedido de desaforamento, apresentado pela defesa, para que o processo seja julgado em outra comarca.
O pedido será analisado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), com previsão de julgamento para o próximo dia 20 de agosto. Caso o desaforamento seja negado e o júri permaneça em Feira de Santana, a previsão é de que a sessão ocorra até outubro.
O promotor de Justiça Antônio Luciano afirmou que o Ministério Público era favorável à realização do julgamento nesta quinta-feira e lamentou o adiamento.

“O Ministério Público entende que, em razão de todas as partes envolvidas, acusados, testemunhas e toda a estrutura montada, o julgamento ocorresse. Mas isso não é uma decisão que cabe ao Ministério Público local, é o Tribunal”, explicou.
Segundo o promotor, o pedido de desaforamento está previsto na legislação processual penal e pode ser fundamentado em situações como repercussão do caso, eventual dúvida sobre a imparcialidade dos jurados ou questões relacionadas à segurança das partes.
“O Ministério Público lamenta, mas respeita e ficará preparado para a próxima sessão”, afirmou Antônio Luciano.
O advogado Joari Wagner, que representa um dos acusados, explicou que a defesa solicitou a transferência do julgamento por considerar que a ampla repercussão do caso poderia influenciar os jurados de Feira de Santana.

“Entendemos que o fato, quando ocorreu, teve uma repercussão muito grande e teve justamente uma questão midiática absurda. Isso pode comprometer inclusive a imparcialidade dos jurados em Feira de Santana”, afirmou.
De acordo com o advogado, o objetivo é garantir que os réus tenham um julgamento considerado imparcial.
“Pedimos esse desaforamento para que o Tribunal da Bahia possa deslocar a competência de Feira de Santana para outra comarca, para que os acusados possam ter um julgamento justo e por juízes imparciais”, disse.
Joari Wagner informou ainda que esta é a terceira vez que o pedido é colocado em pauta para análise. Nas ocasiões anteriores, o julgamento não aconteceu por motivos relacionados à agenda do Tribunal.
“Agora, pela terceira vez, marcou-se para o dia 20. Esperamos que no dia 20 seja julgado”, declarou.
A mãe de Kauan, Samile Silva Gomes, afirmou que a família continuará esperando pela responsabilização dos envolvidos, mesmo diante do adiamento.

“A família segue clamando por justiça e crendo que acontecerá. Pode ter sido tardia, pode não ser hoje, mas ela virá. E eu creio que vai ser breve”, afirmou.
Samile também voltou a falar sobre o filho e destacou as características que, segundo ela, marcaram a personalidade de Kauan.
“Kauan era um menino lindo. Era tão lindo por fora quanto ele era por dentro. Era um menino extremamente de família, extremamente carinhoso, extremamente íntegro. Kauan era um menino maravilhoso”, declarou.
Kauan foi morto em 13 de dezembro de 2024, quando seguia para uma academia acompanhado da mãe e de uma amiga. Segundo as investigações, o veículo em que eles estavam teria sido confundido com o carro de outra pessoa que era alvo de uma perseguição. Kauan foi atingido por um disparo na cabeça e morreu após ser socorrido.
Com o adiamento, familiares e defesa aguardam agora a decisão do Tribunal de Justiça da Bahia sobre o pedido de desaforamento. Caso a solicitação seja rejeitada, a expectativa é que o júri popular seja realizado em Feira de Santana até outubro.
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