Representantes da Associação Comercial, do Centro das Indústrias e do comércio feirense classificam proposta como precipitada e defendem mais estudos sobre efeitos econômicos
A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e abre caminho para o fim da escala 6x1 repercutiu negativamente entre lideranças empresariais de Feira de Santana. Representantes do setor produtivo demonstraram preocupação com possíveis impactos econômicos e defenderam maior debate técnico antes da implementação da medida, que agora segue para análise do Senado Federal.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Feira de Santana, Genildo Melo, afirmou que a aprovação da PEC já era esperada, mas criticou a forma como o tema foi conduzido. Segundo ele, entidades empresariais vêm alertando há algum tempo sobre possíveis consequências para o mercado de trabalho.
“Não se trata de uma medida que objetivamente trará benefícios ao trabalhador, de forma nenhuma. É uma medida açodada, feita às pressas, sem base técnica nenhuma. Na verdade, ela traz uma falsa solução de cunho populista”, declarou.
Genildo argumentou que, a médio prazo, a redução da jornada poderá trazer dificuldades principalmente para pequenas e médias empresas, responsáveis por grande parte dos empregos formais do país.
“Trará um gigantesco impacto negativo para as empresas do Brasil, principalmente aquelas que mais geram emprego, que são as médias e pequenas empresas, responsáveis por mais de 80% do emprego formal neste país”, disse.
Para o empresário, a medida tem viés eleitoral e pode gerar aumento do desemprego no futuro.
“A Câmara, olhando apenas para o seu umbigo e num ato de autopreservação, presta um desserviço à nação brasileira. Só temos a lamentar, não temos o que comemorar nesse momento”, afirmou.
Já o presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS), Geraldo Pires, destacou as dificuldades operacionais que a mudança poderá provocar, sobretudo em setores que funcionam continuamente, como indústrias, hospitais, hotelaria e segurança.
“Vai ser superdifícil fazer escala assim na indústria, no comércio e nos serviços. É muito complexo reorganizar todos os turnos de revezamento”, avaliou.
Segundo Geraldo, o aumento do custo operacional poderá afetar a sustentabilidade de pequenos negócios e provocar reajustes nos preços.
“A gente prevê demissões, aumento no trabalho informal e aumento nos preços de produtos e serviços”, pontuou.
Ele também criticou o momento da votação da proposta, considerando o cenário econômico atual.
“Esse momento foi inadequado, inoportuno. Foi feito sob pressão em um ano eleitoral. Deveria se discutir mais”, afirmou.
O presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana (Sicomércio), Marco Silva, também questionou a rapidez na tramitação da proposta e defendeu estudos mais aprofundados sobre os possíveis impactos econômicos e sociais da medida.
“Ontem a Câmara aprovou, de forma expressa e a jato, uma alteração constitucional de grande relevância sem nenhum estudo técnico, sem nenhuma avaliação de consequências econômicas e sociais”, declarou.
Marco comparou a discussão pública em torno da PEC ao apelo popular da redução da carga horária, mas ponderou sobre os possíveis efeitos futuros.
“Quem seria contra trabalhar menos ganhando a mesma coisa? Agora, se a pergunta fosse sobre o risco de demissão no futuro ou de inflação consumir o salário, essa opinião exigiria muito mais estudo”, disse.
Apesar das críticas, o dirigente reconheceu que o setor produtivo precisará se adaptar caso a proposta seja confirmada pelo Congresso Nacional.
“Está aprovado, está indo num caminho muito rápido e as empresas terão que se adaptar. Não existe outro remédio. O Brasil seguirá e vai se adaptar a tudo isso”, concluiu.
A PEC aprovada pela Câmara prevê um período de transição para a redução da jornada de trabalho e mantém o limite diário de oito horas, com compensações podendo ser feitas por meio de acordos coletivos. O texto ainda será analisado pelo Senado antes de eventual promulgação.
*Com informações de Ednalva Valença
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