Durante discurso na Bahia, presidente foi orientado por ministro da Secretaria de Comunicação a falar sobre o mecanismo de pagamentos instantâneos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (2) que "ninguém" vai fazer o governo brasileiro mudar o PIX.
O petista deu a declaração durante visita a obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador, na Bahia.
O presidente fez o comentário após citar um relatório, divulgado pelo governo Donald Trump nesta quarta-feira (1º), que, mais uma vez, apontou o PIX como um sistema prejudicial às gigantes de cartão de crédito, como Visa e Mastercard (leia mais aqui).
"Os Estados Unidos fizeram um relatório nesta semana sobre o PIX, disseram que o PIX distorce o comércio internacional, porque o PIX acho que cria problema para a moeda deles", introduziu Lula.
"O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir. O PIX é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o PIX pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", completou o petista.
Na sequência, Lula disse que o governo brasileiro pode até "aprimorar o PIX, para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens" que usam a ferramenta.
Lula deu a declaração pouco antes de encerrar o discurso em Salvador. Ele conversava com apoiadores, quando foi alertado pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, que disse ao presidente: "Não esqueça de falar do PIX".
Lula, então, deu a declaração sobre o relatório norte-americano e encerrou o evento na capital baiana.
No documento divulgado nesta quarta-feira, o governo norte-americano fala que o PIX gera prejuízo a fornecedores dos EUA de pagamentos eletrônicos.
"O Banco Central criou e regula o PIX; stakeholders dos EUA temem que o BC [Banco Central] dê tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500.000 contas", diz o documento.
Esta não é a primeira vez que o governo Trump cita o PIX como um risco a empresas americanas. Em julho de 2025, o sistema brasileiro de pagamento instantâneo entrou na mira do governo dos Estados Unidos.
No documento que oficializou o processo, a gestão Trump não mencionou o PIX diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, inclusive os oferecidos pelo Estado brasileiro.
"O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA na época.
O Relatório de Estimativa do Comércio Nacional de 2026, documento do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos divulgado nesta quarta, ainda cita:
*Com informações g1
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