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Lula culpa governo Bolsonaro por avanço das bets no Brasil

Presidente comparou apostas on-line a cassinos e defendeu regulação e tributação do setor durante agenda no Rio Grande do Sul

Por Rafa
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Imagem de Lula culpa governo Bolsonaro por avanço das bets no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a responsabilidade pela disseminação do uso de sites de apostas esportivas no Brasil. Em visita ao município de Rio Grande (RS), Lula comparou as bets a jogos de azar tradicionais, como o jogo do bicho e os cassinos, ao criticar o que classificou como uso descontrolado das plataformas no país.

“Eu sou católico e também os evangélicos, a gente, durante muito tempo, foi contra jogos de azar. O jogo do bicho até hoje é crime, mas todo mundo joga. Sempre fomos contra o cassino, sob o argumento de que cassino é jogo de azar. O que aconteceu no governo passado? Eles levaram o cassino para dentro da nossa casa, para os filhos da gente utilizarem no telefone e fazerem jogatina o dia inteiro”, afirmou.

A declaração foi dada durante cerimônia de entrega de 1.276 unidades habitacionais da Faixa 1 do programa habitacional federal, destinadas a famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850.

Lula também defendeu a regulação e o controle do setor de apostas, destacando os impactos sociais do avanço das plataformas digitais. “É gente gastando dinheiro que não tem no celular. A gente proibiu o povo de ir ao cassino, o cassino veio para dentro de casa. E a gente vai ter que regular essas coisas”, disse o presidente, ao citar ainda a retirada de celulares das escolas como exemplo de medida necessária.

Os jogos on-line foram legalizados no Brasil em 2018, mas as empresas atuaram de forma pouco controlada até 2023, quando foi aprovada a regulamentação que estabeleceu critérios para funcionamento das firmas, fiscalização, tributação e ações de controle. Ao longo de 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, estruturou o marco regulatório, que entrou em operação formal em janeiro deste ano.

O setor ainda enfrenta dificuldades para conter plataformas ilegais, que representam cerca de 40% do mercado de apostas no país.

O governo federal também defende uma tributação adicional sobre as bets, com o argumento de custear os impactos gerados pelos jogos, incluindo ações de enfrentamento à ludopatia, transtorno caracterizado pelo impulso incontrolável de jogar ou apostar, a exemplo do que ocorre com a indústria do cigarro.

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