Durante o quadro “Saúde Mental em Pauta”, a psicóloga Olivia Magalhães alertou sobre sinais de violência sexual infantil
A campanha do Maio Laranja, voltada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, foi tema do quadro Saúde Mental em Pauta, apresentado pela psicóloga Olivia Magalhães.
A psicóloga reforçou a necessidade de atenção e coragem por parte das famílias e da sociedade diante de qualquer indício de violência.
“A denúncia não precisa ter medo, ela precisa ter coragem, porque precisamos proteger nossas crianças. Então, a coragem precisa estar acima de qualquer medo. E a suspeita precisa ser levada em consideração”, destacou.
Ao responder sobre o que fazer quando há suspeita de abuso, Olivia enfatizou que não cabe à família investigar sozinha ou pressionar a criança por respostas detalhadas.
Segundo ela, o mais importante é garantir proteção imediata e procurar os canais adequados, como o Conselho Tutelar e o Disque 100.
“Cabe proteger a família, a escola. Nós devemos proteger as crianças e direcionar para os órgãos competentes. Se tem suspeita, se tem algum tipo de informação que essa criança passou em algum momento, cabe fazer o direcionamento”, explicou.
Ela também alertou que o acolhimento deve acontecer desde os primeiros sinais, sem desconsiderar os relatos da criança.
Olivia chamou atenção para comportamentos emocionais e psicológicos que podem indicar que uma criança ou adolescente esteja sofrendo violência sexual.
Entre os sinais citados estão isolamento, medo excessivo, irritabilidade, choro frequente, alterações no desempenho escolar e mudanças bruscas no comportamento.
“Todo o comportamento de reclusão, de choro, de irritabilidade, alterações pedagógicas no contexto escolar, tudo isso precisa da atenção do adulto”, afirmou.
A psicóloga também destacou que, em muitos casos, o abuso ocorre dentro do ambiente familiar ou em locais considerados seguros.
“Na maioria das vezes, não é na rua, não. É dentro de casa que a maioria dos abusos sexuais ocorrem”, alertou.
Outro ponto enfatizado foi a forma como pais, familiares, escolas e vizinhos devem agir quando a criança tenta relatar algo.
Olivia orientou que a escuta precisa ser acolhedora, sem insistência nos detalhes, evitando fazer a vítima reviver o trauma.
“Não insista que a criança conte os detalhes, porque é como reviver ali o trauma. Acolher a criança, verbalizar para ela que o que ela fez foi certo em falar sobre o que estava acontecendo”, explicou.
Ela reforçou ainda que nunca se deve colocar em dúvida o relato infantil.
“Em momento algum, colocar a criança em dúvida, porque o abusador geralmente conduz esse processo de culpa e silêncio. Se a família passar a duvidar, ela não vai querer contar mesmo”, pontuou.
Ao falar sobre prevenção, a psicóloga defendeu que a educação sobre o corpo e os limites deve começar desde cedo, respeitando a linguagem adequada para cada idade.
“Quando a criança já tem noção do seu corpo, já é interessante que a família eduque: ninguém pode tocar nas suas partes íntimas, ninguém pode pedir para ver sua calcinha ou cueca”, orientou.
Ela também chamou atenção para o acesso precoce à pornografia e os riscos do uso sem supervisão de celulares e redes sociais.
“A pornografia traz danos irreparáveis na criança e no adolescente. Então, precisamos ter cuidado com tudo o que ela acessa”, alertou.
Olivia alertou que o cuidado com crianças precisa acontecer em qualquer ambiente, incluindo espaços religiosos, condomínios, mercados e até casas de amigos.
“Não existe um lugar 100% seguro. A gente precisa ter cuidado com nossas crianças em qualquer local”, ressaltou.
Ela ainda orientou cautela com situações aparentemente inofensivas, como crianças dormirem fora de casa sem supervisão adequada.
A psicóloga destacou que tanto as vítimas quanto suas famílias podem precisar de acompanhamento psicológico após situações traumáticas.
“Não é só a criança que sofre os impactos do abuso. A família, o pai e a mãe também sofrem junto”, concluiu.