O comentarista político e economista Amarildo Gomes analisa a proposta de tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e aponta impactos econômicos e desdobramentos políticos da medida.
O anúncio de uma possível tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros ainda repercute no meio político e econômico e permanece em fase de discussão antes de qualquer aplicação definitiva. A avaliação é do comentarista político e economista Amarildo Gomes, que analisou os possíveis impactos da medida, destacando que o processo segue aberto a negociações e audiências públicas até julho.
Segundo ele, a medida foi apenas anunciada e ainda pode sofrer alterações até o prazo final estabelecido pelo governo norte-americano.
“Na verdade essa medida não entrou em vigor ainda. Ela foi anunciada hoje, mas tem até o dia 15 de julho ainda para negociações, vai ter uma audiência pública nos Estados Unidos ainda no início de julho e é possível que entre em vigor a partir de 15 de julho”, explicou.
A proposta prevê a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, dentro de um processo de análise que já vem sendo estudado há cerca de um ano.
Amarildo destaca que a medida não atingirá todos os setores. Segundo ele, produtos considerados estratégicos para os norte-americanos devem ficar de fora da taxação.
“Carne não vai ser tarifada, café, aqueles produtos da aviação, peças, equipamentos, porque são produtos que os Estados Unidos precisam muito, então eles não vão tarifar. Mas é possível tarifar em outros, por exemplo, máquinas e equipamentos, móveis, calçados, tecidos, roupas e confecções”, afirmou.
Para o economista, caso a proposta seja confirmada, os impactos podem ser significativos para a economia brasileira, especialmente em setores industriais e de exportação.
“Isso vai prejudicar muito o Brasil, móveis, que o Brasil vende muito nos Estados Unidos, calçados, tecidos, roupas, confecções. De toda forma isso prejudica o Brasil caso a tarifa seja aplicada”, avaliou.
Amarildo também classificou a iniciativa como parte de um processo político e estratégico dos Estados Unidos dentro da chamada Seção 301 da Lei de Comércio americana, mecanismo que permite investigação de práticas comerciais de outros países.
“É uma medida política, porque só o Brasil está passando por isso. Eles têm um protocolo chamado 301, que analisa essas questões e, obviamente, é uma questão política”, disse.
O comentarista ainda alertou para possíveis efeitos internos, como pressão sobre o mercado de trabalho e cadeias produtivas brasileiras.
“Só de sugerir já é um problema. A sugestão já deixa a cadeia empresarial preocupada. Pode haver desemprego novamente, problemas na cadeia produtiva, porque as empresas não terão os Estados Unidos mais como base para enviar seus produtos”, afirmou.
Na avaliação política, Amarildo Gomes também relacionou o tema ao cenário eleitoral brasileiro e ao impacto de medidas envolvendo o sistema de pagamentos Pix.
“Se mexer com o PIX, com certeza a eleição está, digamos assim, fechada para Lula. O PIX é uma coisa espetacular, todo mundo sabe disso. Eles estão com medo de um produto brasileiro tomar rédea do mundo”, declarou.
Amarildo reforçou a importância da diplomacia para tentar reverter ou amenizar os efeitos da proposta.
“A gente espera que a diplomacia ainda tenha alguma serventia, porque isso pode prejudicar muito a nossa economia”, concluiu.
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