Médica explica tratamentos para saúde íntima feminina durante a menopausa
A menopausa não precisa ser encarada como um período de sofrimento, dor ou perda da qualidade de vida. Esse foi o principal alerta da médica ginecologista Dra. Cláudia Souza, durante participação no quadro Mulher pra Mulher, do Jornal do Meio Dia, na Rádio Princesa FM. A especialista explicou os impactos da chamada síndrome gênito-urinária da menopausa, reforçou a importância do diagnóstico precoce e destacou avanços terapêuticos disponíveis para preservar a saúde íntima feminina.
Segundo a médica, falar sobre saúde íntima da mulher vai muito além de questões estéticas ou de vaidade.
“A menopausa não precisa ser algo que implique em dor, sofrimento, desconforto. Muito pelo contrário. A menopausa pode ser vivida de forma plena. Imagine a mulher nessa fase da vida vivendo a sua sexualidade e sua feminilidade com plenitude”, afirmou.
De acordo com a especialista, o segredo está na prevenção e no acompanhamento médico antes que os sintomas se agravem.
“É necessário buscar auxílio, ajuda e informação de forma preventiva, antes que esses sintomas mais expressivos cheguem. Quanto mais cedo a mulher buscar assistência, melhor será a resposta terapêutica”, explicou.
Durante a entrevista, Dra. Cláudia explicou que o termo antes conhecido como “atrofia vaginal” atualmente é tratado como síndrome gênito-urinária da menopausa, justamente por envolver uma série de alterações provocadas pela queda do hormônio estrogênio.
Segundo ela, estruturas como vulva, vagina, uretra e bexiga possuem receptores hormonais e sofrem alterações importantes com a redução do estrogênio.
“Vai provocar um afinamento desse tecido que reveste a vagina por dentro, uma mudança da pele da região genital, diminuição da irrigação sanguínea, perda de colágeno e da elasticidade. Além disso, altera o pH vaginal, favorecendo infecções urinárias, fungos e bactérias”, detalhou.
A ginecologista ressaltou que essas mudanças fazem parte do envelhecimento feminino, mas não devem ser encaradas como algo que a mulher precise suportar sem tratamento.
“Toda mulher terá esse processo, porque é próprio do envelhecimento. Mas isso não significa que ela tenha que sofrer as consequências”, enfatizou.
Entre as opções terapêuticas, a médica destacou hidratantes e lubrificantes vaginais, mas alertou que eles possuem funções limitadas.
“O lubrificante facilita a penetração na hora do coito, mas ele não regenera o tecido. Já os hidratantes melhoram a hidratação local, mas também não têm efeito regenerativo”, explicou.
A especialista apontou o laser íntimo como uma das alternativas mais modernas para regeneração da mucosa vaginal.
“O uso do laser é fantástico e considerado padrão ouro, porque ele regenera essa mucosa, estimula colágeno, melhora a elasticidade e ajuda até no equilíbrio do pH, reduzindo infecções urinárias e vaginais de repetição”, afirmou.
Ela também citou a fisioterapia pélvica, radiofrequência e bioestimuladores de colágeno como ferramentas importantes no tratamento.
Outro ponto abordado foi o impacto da menopausa em mulheres sobreviventes do câncer de mama, especialmente aquelas que utilizam medicamentos que bloqueiam a ação do estrogênio.
Segundo a ginecologista, essas pacientes tendem a apresentar sintomas intensos de ressecamento, dor na relação sexual e perda da elasticidade vaginal.
“Essas mulheres precisam de uma assistência multidisciplinar. Muitas sofrem com secura, dor, sangramento durante a relação sexual e encurtamento vaginal. O tratamento envolve lubrificantes, hidratantes, fisioterapia pélvica, laser e bioestimuladores de colágeno”, explicou.
Durante o quadro, Dra. Cláudia também falou sobre os receios de muitas mulheres em relação à reposição hormonal, especialmente devido a informações contraditórias.
Segundo ela, ainda existem muitos mitos associados ao uso dos hormônios.
“Hoje mesmo atendi uma paciente muito reticente porque ouviu que hormônio era perigoso. Mas existem várias formas de administrar hormônios e tudo deve ser feito de forma personalizada”, afirmou.
A médica destacou ainda que estudos mais recentes já revisaram antigos conceitos que associavam hormônios ao aumento do risco de câncer de mama.
“Hormônio é vida. O cérebro é hormônio dependente, os músculos, os ossos, o coração. Hoje os estudos mostram que sem hormônio aumenta o risco cardiovascular, de diabetes, hipertensão e até demência”, pontuou.
Apesar da defesa da terapia hormonal, a ginecologista reforçou que qualquer tratamento deve ser individualizado e acompanhado de hábitos saudáveis.
“Câncer é uma doença multifatorial. Alimentação adequada, atividade física, sono de qualidade e gerenciamento do estresse também fazem parte da prevenção”, concluiu.
A médica atende na Clínica Vitalis, localizada no edifício Premier, sala 706, na Avenida Getúlio Vargas, em Feira de Santana.