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ONU pede investigação independente sobre operação no Rio de Janeiro

Organização alerta para padrão de violência racializada nas periferias cariocas

Redação:
sexta-feira, 31 de outubro de 2025 às 18:41
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), sediado em Genebra, manifestou nesta sexta-feira (31) “profunda preocupação” com a operação policial realizada nas comunidades do Complexo do Alemão e do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação, batizada de “Operação Contenção”, é considerada a mais letal da história do país, com ao menos 120 mortos, incluindo quatro policiais.

Em nota oficial, o órgão pede que as autoridades brasileiras conduzam uma investigação rápida, autônoma e imparcial, com o objetivo de garantir a responsabilização pelos crimes, interromper práticas de violência institucional e proteger testemunhas, familiares das vítimas e defensores de direitos humanos.

“Estamos particularmente preocupados com as represálias contra as famílias e testemunhas. As autoridades devem garantir sua vida, segurança e integridade pessoal, e impedir qualquer forma de intimidação, assédio ou criminalização”, afirmam os especialistas. “É responsabilidade das autoridades preservar o local para posterior exame forense.”

A ONU destaca que a operação, realizada em 28 de outubro, afetou áreas majoritariamente ocupadas por pessoas negras e de baixa renda, o que reforça um padrão de policiamento racializado nas periferias urbanas brasileiras. O comunicado cita denúncias recebidas por relatores da organização, que incluem corpos com marcas de execução, mãos amarradas e tiros na nuca, além de invasões de residências sem mandado judicial, detenções arbitrárias e o uso de helicópteros e drones em disparos.

“A escala da violência, a natureza dos assassinatos relatados e as consequências para as comunidades pobres afrodescendentes que vivem em áreas periféricas urbanas expõem um padrão profundamente arraigado de policiamento racializado”, diz a nota.

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