Se a greve continuar por cinco, sete dias, pode ter impacto na produção de petróleo, efeito em cadeia nas refinarias e, consequentemente, no abastecimento de combustíveis
Os trabalhadores e trabalhadoras do sistema Petrobras iniciaram, nesta segunda-feira (15), uma greve nacional por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas entre os dias 3 e 11 de dezembro, após a categoria rejeitar a segunda contraproposta apresentada pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Em entrevista ao programa De Olho na Cidade, da Rádio Sociedade News, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, explicou que a greve é resultado de um longo processo de negociação sem avanços concretos.
“Nós iniciamos hoje essa greve nacional da categoria petroleira por tempo indeterminado. Tentamos evitar de todas as formas, buscando a negociação em mesa, mas infelizmente, depois de três meses, a gestão da Petrobras criou um impasse ao afirmar que havia apresentado sua última proposta”, afirmou.

Segundo Deyvid, a campanha reivindicatória da categoria está baseada em três eixos centrais. O primeiro deles é a busca por uma solução definitiva para o déficit da Petros, fundo de pensão dos petroleiros.
“Nossos aposentados, aposentadas e pensionistas estão pagando um preço muito alto. Pessoas que contribuíram durante 35, 40 anos hoje não têm acesso às suas aposentadorias completas. Esse problema não foi criado pelos trabalhadores”, destacou.
O segundo ponto diz respeito à reconquista de direitos retirados do Acordo Coletivo durante os governos Temer e Bolsonaro, sem que, segundo a FUP, houvesse avanços significativos na atual mesa de negociação. Já o terceiro eixo envolve a preocupação com demissões de trabalhadores terceirizados e o desinvestimento em plataformas de petróleo em todo o país.
“Durante o processo de negociação, tivemos demissões de terceirizados e um desinvestimento nas plataformas. Diante disso tudo, não nos restou outra alternativa a não ser iniciar a greve”, reforçou.
A paralisação já atinge diversos estados brasileiros, como Amazonas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. De acordo com Deyvid, trabalhadores de ao menos seis refinarias aderiram ao movimento, além de plataformas onde já houve desembarque de petroleiros.
“A greve começou forte em vários estados do Brasil e deve ganhar uma onda crescente nos próximos dias”, disse.
Durante a entrevista, o coordenador da FUP também comentou um episódio de agressão a grevistas ocorrido na Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, envolvendo a Polícia Militar.
“Isso é como jogar gasolina na fogueira. Dois trabalhadores, pais de família, foram agredidos de forma totalmente arbitrária e desnecessária pela Polícia Militar. É um absurdo”, afirmou.
Segundo ele, os trabalhadores chegaram a ser detidos, mas já foram liberados e realizaram exame de corpo de delito. Um ato nacional em desagravo foi anunciado para esta terça-feira, na Baixada Fluminense.
“Essa é uma greve pacífica, tranquila, um direito constitucional que está sendo exercido pelos petroleiros e petroleiras de todo o Brasil”, completou.
Questionado sobre os reflexos da greve para a população, Deyvid afirmou que, inicialmente, não há impactos diretos, mas alertou para possíveis consequências caso a paralisação se prolongue.
“Se a greve continuar por cinco, sete dias, poderemos ter impacto na produção de petróleo, efeito em cadeia nas refinarias e, consequentemente, no abastecimento de combustíveis”, explicou.
A FUP informou ainda que manteve contato com o governo federal, por meio da Secretaria de Relações Institucionais e da Secretaria-Geral da Presidência, solicitando mediação no conflito.
“Esperamos que ainda nesta semana haja uma manifestação da gestão da Petrobras para reabrir o diálogo e finalizar essa greve da melhor maneira possível, com a reconquista dos direitos da categoria”, concluiu Deyvid Bacelar.
A greve segue por tempo indeterminado e novas mobilizações devem ocorrer nos próximos dias em todo o país.