12/04/2026
...
De Olho na Cidade
InícioBrasil
Brasil4 min de leitura

Petroleiros iniciam greve nacional por tempo indeterminado após impasse com a Petrobras

Se a greve continuar por cinco, sete dias, pode ter impacto na produção de petróleo, efeito em cadeia nas refinarias e, consequentemente, no abastecimento de combustíveis

Por Rafa
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Imagem de Petroleiros iniciam greve nacional por tempo indeterminado após impasse com a Petrobras

Os trabalhadores e trabalhadoras do sistema Petrobras iniciaram, nesta segunda-feira (15), uma greve nacional por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas entre os dias 3 e 11 de dezembro, após a categoria rejeitar a segunda contraproposta apresentada pela empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Em entrevista ao programa De Olho na Cidade, da Rádio Sociedade News, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, explicou que a greve é resultado de um longo processo de negociação sem avanços concretos.

“Nós iniciamos hoje essa greve nacional da categoria petroleira por tempo indeterminado. Tentamos evitar de todas as formas, buscando a negociação em mesa, mas infelizmente, depois de três meses, a gestão da Petrobras criou um impasse ao afirmar que havia apresentado sua última proposta”, afirmou.

Segundo Deyvid, a campanha reivindicatória da categoria está baseada em três eixos centrais. O primeiro deles é a busca por uma solução definitiva para o déficit da Petros, fundo de pensão dos petroleiros.

“Nossos aposentados, aposentadas e pensionistas estão pagando um preço muito alto. Pessoas que contribuíram durante 35, 40 anos hoje não têm acesso às suas aposentadorias completas. Esse problema não foi criado pelos trabalhadores”, destacou.

O segundo ponto diz respeito à reconquista de direitos retirados do Acordo Coletivo durante os governos Temer e Bolsonaro, sem que, segundo a FUP, houvesse avanços significativos na atual mesa de negociação. Já o terceiro eixo envolve a preocupação com demissões de trabalhadores terceirizados e o desinvestimento em plataformas de petróleo em todo o país.

“Durante o processo de negociação, tivemos demissões de terceirizados e um desinvestimento nas plataformas. Diante disso tudo, não nos restou outra alternativa a não ser iniciar a greve”, reforçou.

A paralisação já atinge diversos estados brasileiros, como Amazonas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. De acordo com Deyvid, trabalhadores de ao menos seis refinarias aderiram ao movimento, além de plataformas onde já houve desembarque de petroleiros.

“A greve começou forte em vários estados do Brasil e deve ganhar uma onda crescente nos próximos dias”, disse.

Durante a entrevista, o coordenador da FUP também comentou um episódio de agressão a grevistas ocorrido na Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, envolvendo a Polícia Militar.

“Isso é como jogar gasolina na fogueira. Dois trabalhadores, pais de família, foram agredidos de forma totalmente arbitrária e desnecessária pela Polícia Militar. É um absurdo”, afirmou.

Segundo ele, os trabalhadores chegaram a ser detidos, mas já foram liberados e realizaram exame de corpo de delito. Um ato nacional em desagravo foi anunciado para esta terça-feira, na Baixada Fluminense.

“Essa é uma greve pacífica, tranquila, um direito constitucional que está sendo exercido pelos petroleiros e petroleiras de todo o Brasil”, completou.

Questionado sobre os reflexos da greve para a população, Deyvid afirmou que, inicialmente, não há impactos diretos, mas alertou para possíveis consequências caso a paralisação se prolongue.

“Se a greve continuar por cinco, sete dias, poderemos ter impacto na produção de petróleo, efeito em cadeia nas refinarias e, consequentemente, no abastecimento de combustíveis”, explicou.

A FUP informou ainda que manteve contato com o governo federal, por meio da Secretaria de Relações Institucionais e da Secretaria-Geral da Presidência, solicitando mediação no conflito.

“Esperamos que ainda nesta semana haja uma manifestação da gestão da Petrobras para reabrir o diálogo e finalizar essa greve da melhor maneira possível, com a reconquista dos direitos da categoria”, concluiu Deyvid Bacelar.

A greve segue por tempo indeterminado e novas mobilizações devem ocorrer nos próximos dias em todo o país.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.