Receio de impactos no transporte pelo Estreito de Ormuz impulsiona preços da commodity, enquanto investidores acompanham reflexos na economia e na inflação mundial.
Os preços internacionais do petróleo registraram forte valorização nesta terça-feira (14), alcançando os níveis mais elevados das últimas quatro semanas. A alta é atribuída ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltou a gerar incertezas sobre a segurança do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento energético mundial.
No início da manhã, o barril do petróleo Brent, utilizado como referência no mercado internacional, era negociado a US$ 87,03, com avanço de 4,48%. Já o WTI, principal indicador do mercado norte-americano, atingiu US$ 80,84, acumulando valorização de 3,46%. Os preços representam os maiores patamares desde meados de junho.
O movimento ocorre após a retomada de medidas militares e de restrições impostas pelos Estados Unidos ao Irã, mesmo após o memorando firmado entre os dois países para reduzir os confrontos. O cenário reacendeu o temor de que o acordo não seja mantido e de que ocorram interrupções na circulação de navios petroleiros na região.
Entre os fatores que elevaram a instabilidade estão o restabelecimento do bloqueio naval ao Irã, a proposta dos Estados Unidos de cobrar uma taxa para garantir a segurança de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz e o ataque a dois navios-tanque dos Emirados Árabes Unidos, atribuído ao Irã, que deixou um morto e oito feridos. Além disso, o fluxo de petroleiros na área caiu para o menor nível em cerca de dois meses.
Especialistas avaliam que, caso a situação permaneça instável, o petróleo poderá seguir negociado entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas, mantendo a pressão sobre os mercados internacionais.
A valorização da commodity também influenciou o desempenho das bolsas de valores. Os mercados asiáticos encerraram o dia majoritariamente em alta, impulsionados tanto pelo setor de energia quanto pelos dados positivos das exportações chinesas. Na Europa, investidores adotaram postura mais cautelosa, enquanto os contratos futuros das bolsas norte-americanas oscilaram sem direção única.
O aumento do preço do petróleo ainda reforça o alerta para uma possível aceleração da inflação global, já que combustíveis mais caros costumam elevar os custos de transporte, produção de bens e prestação de serviços.