19/08/2026
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3 min de leitura

PF abre investigação sobre filiação irregular de Flávio Bolsonaro ao Partido Missão

Inquérito busca esclarecer quem inseriu o nome do senador no cadastro da legenda; TSE afirma que não houve invasão do sistema eleitoral

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quarta-feira, 19 de agosto de 2026 às 17:09
Imagem de PF abre investigação sobre filiação irregular de Flávio Bolsonaro ao Partido Missão

A Polícia Federal abriu um inquérito para esclarecer uma alteração considerada irregular no cadastro partidário do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O procedimento foi instaurado nesta terça-feira (18), por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.

O caso veio à tona depois que a campanha do senador descobriu que ele aparecia como integrante do Partido Missão, legenda que tem Renan Santos como candidato ao Palácio do Planalto. A informação chegou a impedir, na quinta-feira (13), o registro da candidatura de Flávio.

Diante da situação, a defesa recorreu ao TSE. Nunes Marques determinou a retomada da filiação do senador ao PL e a retirada do vínculo cadastrado com o Missão. A decisão também permitiu novamente o acesso ao sistema Candex, utilizado para o registro de candidaturas.

A investigação da PF deverá identificar como a filiação foi inserida no sistema e quem realizou a operação. De acordo com o TSE, não houve invasão da plataforma da Justiça Eleitoral. A suspeita é de que as credenciais de acesso do próprio Partido Missão tenham sido utilizadas de maneira indevida.

Em comunicado, a Corte Eleitoral afirmou que o registro não resultou de um ataque hacker, mas do uso irregular da ferramenta por uma pessoa que tinha autorização de acesso às credenciais da legenda para efetuar filiações.

Partido Missão afirma ter sido alvo de fraude

O Partido Missão declarou que também se considera vítima do episódio. A legenda classificou o caso como uma tentativa de filiação fraudulenta e afirmou ter procurado o gabinete de Flávio Bolsonaro por e-mail a partir de 2 de agosto, sem obter retorno.

Segundo o partido, um levantamento interno apontou que o cadastro utilizou o e-mail oficial do senador, mas apresentava informações fictícias em outros campos. Entre os dados registrados estavam um endereço com referência a "Rua dos Bandidos, bairro dos Milicianos" e um CPF preenchido com uma sequência numérica.

Flávio Bolsonaro apresentou outra explicação para a demora na identificação do caso. Em uma transmissão pelas redes sociais, afirmou que as mensagens encaminhadas pelo Missão foram direcionadas para a caixa de spam do gabinete e, por isso, não chegaram a ser percebidas pela equipe.

A campanha do senador também declarou ter identificado uma suposta tentativa de vinculá-lo ao PT.

Com o episódio agora sob apuração da Polícia Federal, a investigação deverá buscar a origem da alteração cadastral e esclarecer as circunstâncias que levaram o nome do candidato a aparecer como filiado ao Partido Missão.

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