O empresário Carlos Medeiros destaca que mudanças devem simplificar o sistema, mas alerta para a necessidade de análise individual de cada negócio
A reforma tributária já começa a impactar o ambiente de negócios no Brasil e tem gerado dúvidas entre empresários sobre o momento ideal para investir. Em entrevista ao quadro Conversa Franca do programa Jornal do Meio Dia, o empresário Carlos Medeiros analisou os efeitos das mudanças e defendeu que o planejamento tributário continua sendo essencial, independentemente da reforma.
Segundo ele, a revisão da carga tributária deve ser uma prática anual para empresas de todos os portes.
“A questão da tributação no Brasil precisa ser revista todo ano, independente da reforma tributária. Todo empresário precisa fazer sua opção tributária no início do ano, analisando qual é a melhor escolha”, explicou.
Carlos ressaltou que muitos empreendedores, especialmente pequenos e médios, ainda deixam de explorar alternativas que podem reduzir custos. Ele citou regimes como Simples Nacional, lucro presumido e lucro real como opções que devem ser avaliadas com base na realidade de cada empresa.
“É importantíssimo que todo mundo faça simulações. Muitas vezes o lucro presumido pode fazer você pagar menos imposto. Já uma empresa que projeta prejuízo pode optar pelo lucro real e não pagar alguns tributos”, afirmou.
Ele também chamou atenção para detalhes específicos de cada setor.
"No segmento de restaurante, por exemplo, existe uma legislação especial. Em outros casos, como bebidas, há produtos com tributação monofásica que precisam ser retirados da base de cálculo para evitar pagamento indevido”, explicou.
Sobre a reforma tributária, Carlos acredita que o caminho adotado é positivo, principalmente pela proposta de simplificação do sistema.
“Além da alta carga tributária, temos uma grande complexidade. A reforma vem no sentido de desburocratizar e facilitar o entendimento para o empreendedor”, disse.
Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Feira de Santana, ele destacou que até mesmo profissionais com conhecimento técnico enfrentam dificuldades.
“Já recebi guia de imposto de R$ 18 mil e, na hora de pagar, era R$ 800 mil. Imagine quem não tem conhecimento da área”, relatou.
Apesar disso, ele reforça que a responsabilidade não é apenas do contador.
“O empresário precisa informar detalhadamente como funciona seu negócio. Cada detalhe faz diferença na tributação”, pontuou.
O empresário destacou que setores como prestação de serviços e comunicação ainda demonstram preocupação com possíveis aumentos na carga tributária. No entanto, ele acredita que o debate ainda está em aberto.
“A reforma já foi aprovada, mas ainda há muita normatização a ser feita. É importante que associações e entidades de classe participem desse processo para defender seus interesses”, afirmou.
Ele também levantou dúvidas sobre incentivos fiscais, especialmente em estados como a Bahia.
“Como vão ficar as empresas que vieram por conta de incentivos de ICMS? Ainda tem muita coisa a ser definida”, disse.
Questionado sobre o melhor momento para investir, Carlos Medeiros foi direto: a reforma não deve ser um impeditivo para novos negócios.
“O mercado não vai se tornar inviável por causa da reforma tributária. Se você tem um negócio estruturado, com planejamento e conhecimento do segmento, pode investir sim”, avaliou.
Ele acrescentou que existem desafios maiores do que a própria reforma.
“Mais importante do que a reforma é ter um bom planejamento, saber quanto capital você precisa e quanto tempo vai levar para ter retorno. Isso é decisivo para o sucesso do negócio”, afirmou.