Rodrigo Matos reforça que não há comprovação de ligação entre vacina e mortes investigadas e destaca segurança das demais vacinas disponíveis no SUS
O secretário municipal de Saúde de Feira de Santana, Rodrigo Matos, comentou a decisão do Ministério da Saúde de suspender temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi anunciada após o registro de 42 casos de reações adversas graves entre mais de 500 mil pessoas vacinadas em todo o país. Desses casos, três evoluíram para internação e dois resultaram em óbito. Segundo o governo federal, ainda não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina, mas a aplicação foi interrompida preventivamente para aprofundamento das investigações.
Dr. Rodrigo Matos pediu tranquilidade à população e ressaltou que a suspensão não representa uma confirmação de falha ou insegurança do imunizante.
“É importante principalmente que a população tenha calma e é importante que nós, que somos gestores públicos, possamos explicar com muita tranquilidade para evitar a propagação de notícias falsas”, afirmou.
O secretário explicou que o Ministério da Saúde adotou uma postura responsável ao interromper temporariamente a aplicação da vacina até a conclusão das análises técnicas.
“De forma prudente, de forma responsável, o Ministério da Saúde interrompeu temporariamente a aplicação da vacina, não porque existe algo comprovado de que a vacina do Butantan contra a dengue causa efeitos adversos graves ou que leve à morte. Não”, destacou.
Rodrigo lembrou que os óbitos registrados ocorreram após a vacinação, mas ressaltou que ainda não existe comprovação de relação direta entre os casos e o imunizante.
“Existem dois registros de óbitos de pessoas que vieram a tomar a vacina. Isso não quer dizer necessariamente que foi a vacina que provocou. De forma prudente, você paralisa temporariamente para fazer uma investigação. Só após essa investigação é que pode ser dito se existe uma associação de efeitos adversos graves com a vacina”, explicou.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que seguirá integralmente a recomendação do Ministério da Saúde e suspenderá, de forma preventiva, a aplicação das doses da vacina do Instituto Butantan destinadas aos profissionais da Atenção Primária à Saúde.
A medida foi anunciada pelo governo federal no fim da tarde desta segunda-feira (8) e considera relatos de eventos adversos com sinais de alerta registrados após a vacinação em diferentes regiões do país.
Apesar disso, o cenário em Feira de Santana é considerado tranquilo. Segundo a Secretaria de Saúde, foram registradas apenas quatro notificações relacionadas à vacinação, todas sem gravidade. Os casos foram acompanhados pelas equipes de vigilância em saúde, seguindo os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Em nota técnica, o Ministério esclareceu que a suspensão tem caráter exclusivamente preventivo e visa permitir que os órgãos federais aprofundem as investigações dos casos notificados, especialmente dos óbitos que estão em análise. O documento reforça que não há evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os eventos adversos registrados.
Rodrigo também destacou que a vacinação contra a dengue segue normalmente com outro imunizante já disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reforçando a importância da continuidade da imunização da população dentro dos grupos prioritários.
“O segundo aspecto é que nós já fazemos isso, a vacinação da dengue, com outro tipo de vacina, amplamente testada e aprovada. Eu já me vacinei contra a dengue com essa vacina, que não é a vacina do Butantan e que protege e evita muitas mortes”, afirmou.
A diretora da Rede Própria de Saúde, Verena Leal, ressaltou que a vacinação com a Qdenga permanece mantida para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. O imunizante está disponível nas 103 salas de vacinação do município, sendo necessário apresentar documento de identificação e cartão de vacinação.
“Reforçamos a importância de a população manter as medidas de prevenção contra a dengue, eliminando possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti e, em caso de sintomas da doença, procurar atendimento médico”, destacou Verena.
Rodrigo destacou a importância do Programa Nacional de Imunizações e alertou para os riscos da desinformação durante o período de investigação.
“Esses esclarecimentos são importantes para evitar a propagação de fake news, para evitar a desinformação e para que a gente possa continuar protegendo e salvando vidas graças a esse grande Programa Nacional de Imunizações, que certamente melhorou a qualidade de vida das pessoas no Brasil e também evitou muitas mortes”, concluiu.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que continuará acompanhando as orientações do Ministério da Saúde e aguardará novas recomendações sobre a retomada da estratégia de vacinação com o imunizante do Instituto Butantan.