Para Marco Silva, medida anunciada pelo governo norte-americano contra o Brasil tem origem política e pode gerar efeitos no comércio, na tecnologia e no ambiente de negócios.
O novo anúncio de possível tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros segue gerando repercussão no setor produtivo. Em entrevista ao programa De Olho na Cidade, o presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana (Sicomércio) e contador Marco Silva avaliou o cenário e demonstrou preocupação com os impactos econômicos da medida.
Ele destacou o contexto político envolvendo Brasil e Estados Unidos e afirmou que o ambiente de tensão tem prejudicado as relações comerciais entre os dois países.
“A gente tem muito a lamentar essa animosidade entre o Brasil e os Estados Unidos, que começou já há algum tempo. A gente achou que ia melhorar, mas agora mais uma vez a política está atrapalhando o Brasil. Pedimos encarecidamente que os políticos deixem o Brasil caminhar”, afirmou.
Marco Silva também ressaltou que o Brasil já teve condições mais favoráveis na relação comercial com os Estados Unidos, inclusive com superávit americano em alguns períodos.
“O Brasil tinha com os Estados Unidos uma grande condição de negociar bem, porque os Estados Unidos tinham superávit com o Brasil. Era para o Brasil ter sentado num lugar de honra nessa mesa de negociação, mas infelizmente isso não aconteceu”, disse.
Ao analisar os possíveis efeitos da tarifa, o presidente do Sicomércio alertou para impactos diretos em setores estratégicos, especialmente tecnologia, serviços financeiros e cadeias de exportação.
“Os Estados Unidos são importantes fornecedores, principalmente de tecnologia e serviços bancários. Os impactos que a gente vai sentir é um encarecimento nisso. Os bancos vão repartir esse aumento de custos”, explicou.
Segundo ele, a medida também pode afetar o fluxo de exportações brasileiras e gerar consequências no médio e longo prazo, principalmente na atração de investimentos.
“Alguns produtos brasileiros vão chegar mais caros nos Estados Unidos. No primeiro momento pode até dar uma sensação de melhora no mercado interno, mas depois você pode ter perda de investimentos. Isso pode ser muito ruim no futuro”, avaliou.
Marco Silva destacou ainda que o cenário de incerteza pode afastar investidores e comprometer o crescimento da economia brasileira.
“A economia brasileira precisa realmente tomar um caminho de crescimento, e essas medidas de insegurança que a gente vive hoje afastam investimentos. Nossa preocupação é muito grande”, afirmou.
O dirigente reforçou a necessidade de diálogo entre os governos e defendeu que decisões políticas não prejudiquem o ambiente econômico.
“O Brasil deveria estar no lugar de honra. É um país que está alimentando o mundo, que faz o mundo respirar. A gente tem esperança e vamos continuar trabalhando”, concluiu.