Mudanças no ciclo natural do sono podem impactar o metabolismo, a pressão arterial e favorecer o surgimento de doenças do coração.
Manter uma rotina invertida, dormindo durante o dia e permanecendo acordado à noite, pode trazer impactos importantes para a saúde do coração. O alerta é do cardiologista Dr. Israel Reis, que explica que o organismo humano possui um relógio biológico natural que regula diversas funções do corpo e depende diretamente da alternância entre luz e escuridão.
Segundo o especialista, quando essa dinâmica é alterada com frequência, o funcionamento do organismo pode se desorganizar, afetando hormônios, metabolismo e o sistema cardiovascular.
“O corpo humano funciona como se tivesse um relógio interno. Esse relógio é regulado principalmente pela luz do dia e pela escuridão da noite. Quando a pessoa troca o dia pela noite de forma frequente, esse relógio biológico se desorganiza”, explicou.
De acordo com o cardiologista, essa alteração interfere na liberação de hormônios importantes para o equilíbrio do organismo.
“O organismo passa a liberar hormônios em horários inadequados, como o cortisol e a melatonina, e isso interfere diretamente no metabolismo, na pressão arterial e no sistema cardiovascular”, destacou.
O médico ressalta que o sono durante a noite costuma ser mais profundo e restaurador para o corpo. Quando ele é substituído pelo descanso durante o dia, muitas vezes ocorre uma perda na qualidade do sono.
“Além disso, o sono noturno costuma ser mais profundo e mais reparador. Quando ele é substituído por um sono fragmentado durante o dia, o corpo perde parte dessa recuperação fisiológica”, afirmou.
Com o passar do tempo, essa desregulação pode provocar efeitos negativos acumulativos.
“Essa alteração pode favorecer inflamação, aumento da pressão arterial, alterações metabólicas e maior risco de doenças cardiovasculares”, alertou.
Dr. Israel explica que, biologicamente, o corpo humano foi programado para reduzir a atividade cardiovascular durante a noite, entrando em um estado natural de recuperação.
“O organismo foi programado para reduzir a atividade cardiovascular durante a noite. A pressão arterial começa a cair, a frequência cardíaca diminui e o corpo entra em um estado de recuperação”, explicou.
No entanto, quando a pessoa permanece acordada e ativa nesse período, o corpo reage de maneira oposta.
“Quando a pessoa permanece acordada durante esse período ocorre o contrário. Há maior ativação do sistema nervoso simpático, que é o sistema de alerta do organismo. Isso pode manter a pressão arterial mais elevada, aumentar a frequência cardíaca e favorecer alterações no ritmo do coração”, disse.
Outro fator que preocupa, segundo o cardiologista, é que pessoas que trabalham no período noturno frequentemente desenvolvem hábitos que também aumentam os riscos à saúde.
“Pessoas que trabalham à noite frequentemente apresentam mais distúrbios do sono, maior consumo de cafeína, alimentação irregular e maior risco de obesidade e diabetes. Todos esses fatores juntos aumentam o risco de infarto e de outras doenças cardiovasculares”, ressaltou.
O médico orienta que alguns sintomas podem indicar que o organismo está sofrendo com a alteração da rotina e merecem atenção.
“Alguns sinais merecem atenção: cansaço excessivo, sono de má qualidade, palpitações, pressão arterial elevada, ganho de peso e dificuldade de controlar a glicemia ou o colesterol”, alertou.
Para quem precisa trabalhar durante a noite, o cardiologista recomenda a adoção de hábitos que ajudem a reduzir os impactos no organismo.
“Quem trabalha à noite precisa ter mais cuidado com a saúde. Algumas medidas ajudam muito, como manter horários de sono mais regulares possíveis, garantir um ambiente escuro e silencioso para dormir durante o dia, praticar exercícios físicos regularmente, cuidar da alimentação e evitar excesso de estimulantes como a cafeína”, orientou.
Ele também reforça a importância do acompanhamento médico.
“Também é fundamental fazer acompanhamento médico periódico para avaliar pressão arterial, colesterol, glicemia e outros fatores de risco cardiovasculares. Mesmo quando a rotina exige trabalhar à noite, é possível adotar hábitos que protejam o coração ao longo do tempo”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda