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Vice-líder do governo na ALBA deixa base de Jerônimo e declara apoio a ACM Neto; governador reage e minimiza impacto

Em entrevista nesta segunda-feira (17), Jerônimo disse que só acreditaria após anúncio oficial ou diálogo

Por Rafa
segunda-feira, 17 de novembro de 2025
Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Foto: Reprodução/Redes sociais

A base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) sofreu uma baixa significativa nesta segunda-feira (17) com a saída do deputado estadual Cafu Barreto (PSD). Até então vice-líder do governo na Casa, o parlamentar anunciou seu desligamento do grupo governista e oficializou apoio ao projeto político liderado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil).

A movimentação ocorre em um momento de instabilidade para o Palácio de Ondina, já que a debandada de Cafu acontece logo após o também deputado Nelson Leal (PP) ter deixado a base para integrar a oposição e assumir a coordenação da pré-campanha de Neto.

Considerado um dos articuladores de confiança do governo na ALBA, Cafu reforça o avanço da oposição em regiões estratégicas do interior, especialmente no território de Irecê, onde exerce forte influência política.

Adesão e ruptura

O anúncio da migração foi realizado em um encontro com ACM Neto e com o ex-prefeito de Xique-Xique, Reinaldo Braga Filho (MDB), coordenador da pré-campanha oposicionista. Nas redes sociais, Cafu explicou os motivos da mudança, afirmando que a Bahia vive “duas décadas de um mesmo ciclo político” e que a população demonstra “insatisfação e necessidade urgente de mudança”.

O parlamentar destacou sua trajetória de mais de uma década na base governista, iniciada em 2012 quando foi eleito prefeito de Ibititá pela primeira vez. Apesar do histórico, disse que era hora de seguir outro caminho.
“Acredito no seu nome, no seu potencial e na força do projeto que representa”, escreveu ao elogiar ACM Neto.

Durante o discurso de adesão, o deputado também afirmou que deixa o governo “de cabeça erguida” e exaltou a liderança do novo aliado:
“Neto representa mudança, esperança e um novo caminho para a Bahia.”

Cafu aproveitou para agradecer aos senadores Ângelo Coronel (PSD) e Otto Alencar (PSD) pela parceria na trajetória política. Neto, por sua vez, celebrou a chegada do deputado ao grupo oposicionista:
“Cafu é um dos principais nomes da política na região de Irecê. Tenho um respeito enorme por ele, pela sua história e pelo seu trabalho.”

A mudança de lado de um vice-líder de governo reforça a avaliação de que o cenário político na ALBA se torna mais desafiador para Jerônimo, enquanto a oposição demonstra capacidade de atrair figuras influentes do Parlamento.

Jerônimo reage e trata o caso como “especulação”

Horas depois do anúncio, o governador Jerônimo Rodrigues concedeu entrevista à Rádio Itapoan FM e minimizou o impacto da saída do deputado. O chefe do Executivo afirmou que, até aquele momento, não havia sido comunicado oficialmente sobre a decisão.

“Até agora eu não fui oficializado sobre esse anúncio. Eu só vou acreditar quando o deputado dialogar comigo, quando o presidente do partido dele anunciar alguma coisa ou quando eu vir algo concreto”, afirmou.

Jerônimo disse manter uma postura de diálogo direto e comparou a situação ao recente desligamento do Progressistas da base:
“Eu acredito muito na política olho no olho. Foi assim com o PP. Dialogou-se, saiu.”

Surpreso com a notícia, o governador destacou o apreço que tem por Cafu e a parceria construída durante as eleições:
“Eu tenho muito apreço pelo deputado Cafu, me acompanhou nas eleições. Tenho recebido prefeitos e prefeitas do deputado. Não sei por que esses rumores. Prefiro acreditar que seja especulação.”

Mesmo assim, Jerônimo garantiu que está disposto a ouvir o PSD e compreender a situação.
“Estou disposto a ouvir o partido para saber o que está acontecendo e tocar a vida. A política exige de nós trabalho e coragem.”

Disputa de 2026

Na mesma entrevista, o governador também foi questionado sobre a formação da chapa majoritária governista para as eleições de 2026. Jerônimo disse que as discussões estão avançando, mas que o grupo respeita os prazos legais, que vão até março.

Ele reforçou a força da base aliada, destacando nomes como os ex-governadores Jaques Wagner e Rui Costa, além dos senadores Otto Alencar e Ângelo Coronel.

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