05/06/2026
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Violência sexual pode aumentar risco de infarto e AVC em até 70%, alerta pesquisa

Estudos indicam que traumas elevam em até 74% o risco de doenças cardiovasculares, mesmo após controle de fatores tradicionais

Redação:
segunda-feira, 27 de abril de 2026 às 12:08
Imagem de Violência sexual pode aumentar risco de infarto e AVC em até 70%, alerta pesquisa

A relação entre traumas psicológicos e doenças do coração tem ganhado cada vez mais respaldo científico. De acordo com o cardiologista Israel Reis, mulheres que sofreram violência sexual apresentam maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares, como Infarto do miocárdio e Acidente vascular cerebral.

“Quando a gente fala em infarto, a maioria das pessoas pensa em colesterol alto, pressão, diabetes e tabagismo e isso está certo. Mas hoje a gente mostra que existe algo além disso”, destacou o médico.

Segundo ele, estudos internacionais que acompanharam milhares de mulheres ao longo de vários anos identificaram um aumento de risco significativo.

“Mulheres que sofreram violência sexual têm um risco maior de desenvolver doenças cardiovasculares. Esse aumento pode chegar a algo em torno de cinquenta a setenta por cento”, afirmou.

Uma pesquisa publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva, com base na Pesquisa Nacional de Saúde, reforça essa relação. O levantamento, que analisou mais de 70 mil entrevistas em todo o país, apontou que mulheres vítimas de violência sexual têm até 74% mais chances de desenvolver problemas cardíacos.

O estudo também identificou maior incidência de infarto e arritmias entre essas mulheres. Já em casos de angina e insuficiência cardíaca, não foram observadas diferenças significativas.

Para garantir a precisão dos resultados, os pesquisadores utilizaram métodos estatísticos que eliminaram a influência de fatores como idade, escolaridade, cor da pele e região de moradia, confirmando que o aumento do risco está diretamente associado à violência sofrida.

O especialista explica que esse impacto não está ligado apenas a mudanças de comportamento após o trauma, como sedentarismo ou hábitos prejudiciais. Há também uma resposta biológica direta do organismo.

“Mesmo quando os pesquisadores consideraram fatores como cigarro, excesso de peso e condição de vida, o risco ainda continua maior. Ou seja, não é só estilo de vida. Existe um efeito direto do trauma no organismo”, ressaltou.

De acordo com ele, o corpo passa a funcionar em estado constante de alerta.

“O organismo entra em um estado de estresse crônico, aumenta hormônios como o cortisol e o sistema fica sempre ativado, como se nunca esquecesse o ocorrido”, explicou.

Com o tempo, esse processo pode provocar inflamações e danos aos vasos sanguíneos, favorecendo o desenvolvimento da Aterosclerose, condição que está na base de infartos e AVCs.

Diante desse cenário, o cardiologista reforça a necessidade de uma abordagem mais ampla no cuidado com a saúde.

“Cuidar da saúde não é só olhar exame, não é só tratar número. É olhar a pessoa como um todo, entender sua história e o que ela viveu”, afirmou.

Ele conclui destacando que os impactos emocionais e físicos estão profundamente conectados. “No fim das contas, o coração também carrega a história de vida de cada um”, completou.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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