Professor de natação destaca falta de supervisão infantil, consumo de álcool e brincadeiras perigosas como principais fatores de risco
Com a chegada do verão, cresce também a preocupação com os casos de afogamento no Brasil. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que quase 250 mil pessoas morrem por afogamento todos os anos no mundo, sendo 82 mil crianças entre 1 e 14 anos.
Já no Brasil, levantamento da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) mostra que 40% dos óbitos por afogamento ocorrem no verão, especialmente entre 10h e 14h, em fins de semana e feriados.
Diante desse cenário, o professor de natação Rodrigo Araújo alerta para a combinação de fatores que tornam o período ainda mais perigoso.
“Estamos no período do verão, quando as famílias frequentam muito mais os ambientes aquáticos e os casos de afogamento ficam muito mais iminentes. Existe uma falta de entendimento da sociedade sobre os riscos ao adentrar ambientes aquáticos, sejam eles de águas fechadas, como piscinas, ou de águas abertas, como rios e praias”, explica.
Segundo o professor, o consumo de álcool é um dos principais agravantes, especialmente em praias e rios: “Pessoas que usam álcool têm os reflexos diminuídos. Quando entram no mar aberto, com corrente de retorno, o famoso ‘puxar’, podem correr risco de afogamento”, destaca.
Ele também chama atenção para brincadeiras aparentemente inofensivas: “Mergulhar no meio da onda pode causar choque com banco de areia, gerando trauma seguido de afogamento”, afirma.
Dados da Sobrasa reforçam esse alerta. Apenas em 2022 foram registrados 618 traumas por mergulho em água rasa, com 32 mortes. Em uma década (2013-2022), o país contabilizou 4.986 traumas por mergulho, resultando em 503 óbitos.
A OMS aponta que crianças menores de quatro anos formam o grupo mais vulnerável. Rodrigo reforça que a falta de supervisão é determinante nos casos envolvendo menores.
“100% dos afogamentos com crianças acontecem por falta de fiscalização de um responsável. A criança não tem noção do perigo. Por isso, é necessário que ela seja supervisionada o tempo todo nos ambientes aquáticos”, enfatiza.
O professor também orienta evitar brincadeiras como empurrões, “briga de galo” e “Maria Cadeira”, que podem provocar traumas e levar ao afogamento.
Ainda, o especialista aponta que a prática da natação é uma importante aliada na prevenção, mas não é garantia absoluta de segurança.
“Sabendo nadar, já se evita sempre os afogamentos? Não é o caso. Mas gera um processo educacional. A pessoa passa a compreender até que ponto pode ir, tanto na praia quanto no rio ou na piscina, e aprende a se divertir com segurança.”
*com informações do repórter JP Miranda