Dra. Aline Jardim alerta para influência do ambiente “obesogênico”, hábitos alimentares e rotina familiar no desenvolvimento da obesidade entre crianças
A obesidade infantil foi tema de destaque no quadro Saúde em Pauta, com a participação da nutróloga Dra. Aline Jardim, que chamou atenção para o impacto do chamado “ambiente obesogênico” no desenvolvimento da doença entre crianças.
A médica explicou o conceito e destacou que ele está diretamente ligado ao estilo de vida familiar.
“É o ambiente que ele vive. A casa que ele mora, onde todos têm esse pensamento de pessoas obesas mesmo. O que comem, quais hábitos dessa família. Isso pode levar a criança a ser obesa”, afirmou.
Segundo a especialista, o padrão alimentar e comportamental dos pais influencia diretamente os filhos, inclusive na normalização do consumo de alimentos ultraprocessados.
“Hoje é uma realidade das crianças comerem refrigerante e doces todos os dias. E muitos pais acabam oferecendo qualquer coisa porque a criança não come bem, e o açúcar vira a principal escolha”, explicou.
A nutróloga também alertou para o papel da indústria alimentícia na criação de hábitos viciantes, reforçando a necessidade de controle por parte dos responsáveis.
“A indústria trabalha para você viciar nesses alimentos, para você sempre querer. Então é responsabilidade dos pais limitar e priorizar alimentação saudável”, disse.
A médica respondeu à dúvida sobre quando o sobrepeso deixa de ser considerado algo passageiro e passa a ser um problema de saúde.
Segundo ela, alguns sinais físicos podem indicar risco de resistência à insulina.
“Quando começa a aparecer aumento no flanco, escurecimento no pescoço, isso já pode ser sinal de resistência à insulina”, alertou.
Ela também destacou que a alimentação inadequada em grande quantidade pode acelerar o desenvolvimento da obesidade.
“Uma criança não deveria comer como um adulto. Isso não acontece do dia para a noite, é uma construção ao longo do tempo”, explicou.
Dra. Aline reforçou ainda que o tratamento da obesidade infantil depende da mudança coletiva da rotina familiar.
“Não dá para a criança comer uma coisa e o resto da família comer outra. O exemplo arrasta. A família precisa comer junta, de forma saudável”, destacou.
Ela também criticou a falta de coerência em famílias com pacientes diabéticos ou obesos.
“É muito triste quando só uma pessoa precisa se privar enquanto a família toda continua comendo tudo errado”, afirmou.
A nutróloga detalhou medidas práticas para prevenção e tratamento da obesidade infantil, com foco na alimentação e rotina diária.
“Vamos levar água, um sanduíche natural, frutas com iogurte. Tirar sucos e refrigerantes do dia a dia e incentivar comida de verdade”, orientou.
Ela também destacou a importância da atividade física e da redução do uso de telas.
“As crianças estão muito no celular. É fundamental incentivar esporte, movimento e brincadeiras”, disse.
Por fim, reforçou que o acompanhamento médico deve ser buscado quando as mudanças de rotina não apresentam resultados.
“Se mesmo com mudanças não houver resultado, é importante procurar ajuda médica”, concluiu.