Professores, pais e estudantes participaram de aula pública em frente à Prefeitura para reivindicar o cumprimento da Lei 01/94, a valorização da categoria e melhorias na educação da rede municipal.
A manhã desta terça-feira (4) foi marcada por uma mobilização promovida pela APLB Sindicato, em frente à Prefeitura de Feira de Santana. O ato reuniu professores, servidores da educação, estudantes, pais e mães de alunos em uma aula pública que teve como objetivo apresentar à comunidade as principais reivindicações da categoria e denunciar problemas enfrentados pela rede municipal de ensino.
Entre as pautas defendidas pelo sindicato estão o cumprimento do acordo judicial firmado entre a categoria e o município, a recomposição da tabela salarial prevista na Lei Municipal nº 01/94, a reformulação do Plano de Carreira, a defesa da gestão democrática nas escolas e melhores condições de trabalho para os profissionais da educação.
Segundo a presidente da APLB Feira, Marlede Oliveira, a categoria acumula anos de negociações sem que as reivindicações sejam atendidas.

"Estamos há vários anos negociando e a situação não se resolve. No ano passado fizemos paralisação, o Tribunal determinou que houvesse negociação, foi firmado um acordo, mas ele não foi cumprido. Agora queremos que a nossa pauta seja efetivamente atendida", afirmou.
Marlede destacou que um dos principais pontos é a recomposição da tabela salarial dos professores, prevista em legislação municipal.
"Queremos o cumprimento da Lei 01/94, da tabela salarial, que é lei. Professor em Feira de Santana chega a perder mais de 90% quando alcança o doutorado. Quanto mais estuda, menos é valorizado. Isso é inadmissível."
Durante a manifestação, a direção da APLB promoveu uma aula pública para explicar à população os problemas enfrentados pela educação municipal.
Segundo Marlede, a proposta foi substituir o espaço tradicional das assembleias por um diálogo aberto com a comunidade.
"Ao invés de ficarmos entre quatro paredes fazendo assembleia, viemos para a rua denunciar à comunidade a situação da educação. Nossa aula pública é para expor o caos que vivemos."

Ela ressaltou ainda que a categoria aguarda uma audiência com o governo municipal e espera uma resposta concreta às reivindicações apresentadas.
Além dos profissionais da educação, pais e mães de estudantes participaram do protesto. A dona de casa Mariana Marcelo, mãe de uma aluna da Escola Municipal Almiro Pereira Lago, no bairro Campo do Gado Novo, relatou dificuldades enfrentadas pelos estudantes devido à falta de professores.
Segundo ela, no início do ano letivo os alunos tinham apenas dois dias de aula por semana.

"Quando minha filha começou o ano letivo, tinha aula apenas duas vezes por semana por falta de professores."
Ela também cobrou mais investimentos na educação municipal.
"A Prefeitura precisa olhar com mais atenção para a educação, assim como deveria olhar para a saúde. Se houvesse mais professores concursados e mais profissionais nas escolas, não faltariam aulas nem na escola da minha filha nem em outras unidades da cidade."
Após a mobilização em frente à Prefeitura, os profissionais seguiram para a sede da APLB Feira, onde foi realizada uma assembleia da Rede Municipal para leitura e aprovação da ata da reunião anterior e discussão sobre o processo relacionado aos cortes salariais da categoria.