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Arquitetura consciente busca unir sustentabilidade, funcionalidade e propósito nos projetos

A arquiteta Milena Bastos destaca a importância de conhecer a rotina dos moradores e fazer escolhas conscientes antes de construir ou reformar

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quarta-feira, 12 de agosto de 2026 às 21:47
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A arquitetura consciente tem ganhado espaço nos projetos residenciais ao propor que cada escolha feita durante uma construção ou reforma tenha uma finalidade, levando em consideração não apenas a estética, mas também a rotina, as necessidades e o estilo de vida dos moradores. O tema foi abordado pela arquiteta Milena Bastos, durante o quadro Home News no programa Jornal do Meio Dia, ao falar sobre arquitetura com propósito.

Segundo Milena, a ideia é evitar que materiais, ambientes e soluções sejam escolhidos apenas por tendência ou por referências vistas em outras casas.

“Arquitetura consciente é quando a gente entende que cada escolha de material tem um porquê.”

Para a arquiteta, o primeiro passo é conhecer o cliente e entender como ele utiliza os espaços da casa. Questões como fluxo, rotina, manutenção, durabilidade e estilo de vida devem ser consideradas antes da definição do projeto.

“A gente tenta deixar o cliente consciente das escolhas dele. A gente busca entender como funciona a rotina dele, o fluxo da casa, para que cada escolha tenha um propósito.”

Milena também explicou que uma casa sustentável não depende exclusivamente da utilização de materiais considerados sustentáveis. Segundo ela, soluções simples de arquitetura podem contribuir para reduzir o consumo de recursos e tornar o imóvel mais confortável.

A entrada de iluminação e ventilação naturais, por exemplo, pode melhorar as condições internas da residência. Além disso, a escolha de materiais duráveis também é apontada como uma forma de sustentabilidade.

“Tendo uma boa iluminação natural na casa, deixando janelas e portas amplas para entrar ventilação, a gente consegue também deixar uma casa sustentável.”

Ela acrescenta que a durabilidade dos materiais deve ser considerada para evitar reformas frequentes.

“Ninguém quer reformar ou construir uma casa a cada cinco anos. A gente quer que tenha uma casa e ela dure dez, vinte anos.”

Durante a entrevista, a arquiteta também chamou atenção para a importância de contar com um profissional especializado antes de iniciar uma obra. Para ela, o projeto arquitetônico pode representar economia ao evitar erros de dimensionamento e decisões que posteriormente exigirão mudanças.

“O projeto é o primeiro ponto e o mais barato, levando em consideração que é o que vai lhe auxiliar em todas as etapas.”

Milena citou situações em que ambientes são construídos sem considerar adequadamente o tamanho dos móveis. Um quarto, por exemplo, pode acabar não comportando a cama desejada, enquanto uma sala pode não ter espaço suficiente para o sofá.

A arquiteta também apresentou o Diagnóstico do Imóvel Ideal, ferramenta gratuita disponibilizada por seu escritório, que busca ajudar o cliente a identificar o tipo de imóvel mais adequado às suas necessidades, além de aspectos como estilo arquitetônico e metragem.

Para quem já possui um imóvel construído, Milena afirma que ainda existem alternativas para melhorar o conforto e a relação dos moradores com os ambientes.

“A gente sempre consegue ajustar e deixar a casa mais agradável.”

Segundo ela, algumas mudanças podem exigir obras, enquanto outras podem ser resolvidas com intervenções mais simples, como alterações na decoração, nas cores, no mobiliário ou na ventilação.

Uma residência muito quente, por exemplo, pode ser beneficiada por mudanças que favoreçam a circulação de ar. Já ambientes que não proporcionam sensação de pertencimento podem ser transformados por meio de elementos decorativos e escolhas mais adequadas de mobiliário.

Milena elencou três orientações para quem pretende construir ou reformar.

A primeira é conhecer as próprias necessidades antes de tomar decisões.

“A primeira dica de todas é fazer o diagnóstico do seu imóvel ideal para poder saber qual é o seu perfil de imóvel.”

A segunda é escolher um profissional qualificado e entender claramente o que se deseja para a residência, sem simplesmente reproduzir referências encontradas na internet ou em outras casas.

“Não adianta você chegar com referência do Pinterest ou que você viu na casa do seu vizinho e falar: ‘eu quero aquilo que eu vi’. Primeiro você precisa entender o que você precisa.”

Por fim, a arquiteta recomenda atenção à escolha dos materiais, considerando não apenas a aparência, mas também a durabilidade e a função de cada elemento.

Para Milena, uma casa bem projetada não é necessariamente aquela que possui grandes dimensões ou muitos ambientes. O mais importante é que os espaços sejam utilizados de maneira eficiente e estejam alinhados à realidade de quem vai morar no imóvel.

“Às vezes não precisa de uma casa grande. Às vezes uma casa pequena, mas que seja bem projetada, resolve sua vida.”

Milena Bastos é sócia da EME Arquitetura e compartilha conteúdos sobre arquitetura e planejamento de imóveis nas redes sociais. O escritório também disponibiliza materiais para orientar pessoas que estão iniciando processos de compra de terreno, construção ou reforma.

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