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Automedicação pode atrasar e até agravar a cicatrização de feridas, alerta estomaterapeuta

Especialista explica que uso indiscriminado de pomadas, antibióticos e receitas caseiras é um dos principais fatores que prejudicam a recuperação dos pacientes

Por Rafa
sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026

A automedicação, prática comum entre a população, pode representar um sério risco para quem apresenta feridas e busca a cicatrização rápida sem orientação profissional. O alerta é da estomaterapeuta Áquilla Chahinne, da Clínica Doutor Curativos, em Feira de Santana, que chama atenção para os perigos do uso indiscriminado de medicamentos e receitas caseiras no tratamento de lesões na pele.

Segundo a especialista, automedicação é toda utilização de medicamentos sem prescrição ou avaliação de um profissional de saúde.

“Muitas vezes essa indicação vem de um parente, vizinho ou amigo, sempre na tentativa de ajudar. Outras vezes, a própria pessoa decide usar algo por conta própria, achando que vai resolver o problema rapidamente”, explica.

Durante atendimento recente na clínica, Áquilla relata um caso que ilustra bem os riscos dessa prática.

“Uma paciente chegou contando que tinha tomado dez comprimidos de uma vez achando que isso ajudaria na cicatrização. Eu disse: ainda bem que a senhora está viva. Poderia ter tido uma overdose grave”, relembra.

De acordo com a estomaterapeuta, a área de tratamento de feridas é uma das que mais sofrem com a automedicação.

“Sempre tem alguém que orienta colocar um chá, manteiga, café, álcool ou alguma pomada. O problema é que, na maioria das vezes, isso não ajuda e ainda atrapalha”, afirma.

Entre os produtos mais usados de forma incorreta estão antibióticos tópicos, pomadas com corticoides, água oxigenada, álcool e medicamentos como a rifamicina.

“A rifamicina, por exemplo, é um antibiótico. Quando usada sem indicação em uma ferida aberta, ela pode ser tóxica para o tecido, causar resistência bacteriana e até favorecer uma infecção”, alerta.

Ela explica ainda que o aspecto visual pode enganar o paciente. “A medicação forma uma capa escura sobre a ferida e a pessoa acha que está melhorando. Mas, por baixo, a ferida continua ativa, sem conseguir cicatrizar adequadamente”, pontua.

Outro erro frequente observado na clínica é o uso prolongado de medicamentos via oral, especialmente anti-inflamatórios.

“Tem paciente que chega dizendo que usa anti-inflamatório há cinco meses. Isso é extremamente perigoso. A ferida fica presa na fase inflamatória e não consegue evoluir para as próximas etapas da cicatrização”, explica Áquilla.

Além disso, o uso contínuo pode causar prejuízos ao funcionamento dos rins e de outros sistemas do organismo.

“Esses medicamentos são indicados por curtos períodos, geralmente de três a cinco dias. O uso prolongado dificulta a cicatrização”, reforça.

Pacientes que utilizam corticoides por longos períodos, como aqueles com doenças reumatológicas ou problemas imunológicos, também apresentam maior dificuldade no processo de recuperação das feridas.

Na Clínica Doutor Curativos, os pacientes são orientados a não utilizar nenhum produto fora do tratamento indicado.

“A partir do momento que o paciente inicia o acompanhamento conosco, fazemos um acordo: ele confia no nosso serviço e não coloca nada por conta própria. Duas condutas diferentes comprometem totalmente o resultado”, destaca a estomaterapeuta.

Ela reforça que o principal alerta é buscar ajuda especializada ao menor sinal de ferimento.

“Não escutem receitinhas caseiras. Se apareceu uma ferida, principalmente em pessoas diabéticas, idosas ou com problemas de circulação, procurem imediatamente um serviço especializado. Tentar tratar em casa pode agravar e levar a complicações graves, como infecções e até amputações”, afirma.

A Clínica Doutor Curativos funciona no Edifício Ícone, na Avenida Getúlio Vargas, 4º andar, sala 403, em Feira de Santana, e conta com equipe especializada no tratamento de feridas. “Nada melhor do que estar bem acompanhado quando o assunto é saúde”, conclui Áquilla Chahinne.

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