Especialista destaca que projetos personalizados, iluminação natural e ambientes funcionais podem transformar a rotina e contribuir para a saúde física e emocional.
A arquitetura vai muito além da beleza das fachadas e da decoração. Um projeto bem planejado pode impactar diretamente o bem-estar, o conforto, a produtividade e até mesmo a saúde emocional das pessoas. Esse foi o tema do quadro Home News, do Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM, que recebeu a arquiteta Ingrid Lomanto.
A profissional explicou que a arquitetura está presente em todos os momentos do cotidiano e que pequenas decisões de projeto fazem grande diferença na qualidade de vida dos moradores.
"A arquitetura está presente para nós muito mais do que a gente imagina. Ela está presente desde a hora que a gente acorda, quando a gente trabalha, na hora de descansar e de conviver com amigos e família. Ela está com a gente no conforto, na ergonomia e na iluminação", destacou.
Segundo Ingrid, a ideia de que uma casa pode mudar a vida das pessoas está relacionada justamente à funcionalidade dos ambientes.
"São pequenas decisões em projeto que auxiliam no dia a dia. Uma cozinha bem projetada facilita cozinhar, um quarto adequado proporciona um descanso melhor e um home office pensado para a rotina ajuda na produtividade. Esses detalhes conseguem mudar nosso humor e nossa rotina."
Um dos pontos enfatizados pela arquiteta foi a importância da iluminação natural, que interfere diretamente no funcionamento do organismo.
"A iluminação trabalha diretamente com o nosso relógio biológico. Quanto mais iluminação natural, melhor a disposição e o nosso dia a dia. Um ambiente escuro e desconfortável gera estresse. Já um espaço iluminado, organizado e confortável transmite paz e bem-estar."
Ela ressalta que, embora muitas pessoas priorizem a aparência da residência, a funcionalidade deve ser o principal foco durante o planejamento.
"Quando as pessoas sonham com uma casa, normalmente pensam primeiro na fachada, na cor da parede ou na decoração. Mas o mais importante é entender como aquela casa será utilizada. É preciso pensar na rotina da família para que o projeto seja feito realmente para quem vai morar ali."
Ingrid explicou que um dos principais motivos de insatisfação com a casa é a ausência de um projeto arquitetônico elaborado a partir das necessidades dos moradores.
"Um bom projeto começa muito antes da obra. Ele começa entendendo a rotina e as necessidades de cada pessoa. Cada projeto é único porque cada família tem um estilo de vida diferente."
Ela lembra que a pandemia fez muitas pessoas perceberem limitações que antes passavam despercebidas, já que o tempo dentro de casa aumentou significativamente.
"A casa deixou de ser apenas um lugar para dormir. Hoje muita gente trabalha em home office e passa grande parte do dia dentro dela. Isso fez as pessoas perceberem a importância do conforto, da circulação, da ventilação e da ergonomia."
Outro ponto abordado foi a importância de pensar no longo prazo durante a elaboração do projeto. Segundo Ingrid, seguir apenas tendências pode fazer com que a residência fique rapidamente ultrapassada.
"O projeto deve ser pensado para acompanhar a família durante muitos anos, algo entre 15 e 20 anos. É preciso considerar as mudanças da vida, como filhos que ainda vão nascer ou que futuramente sairão de casa."
Ela também alertou para o excesso de espaços sem necessidade prática.
"Às vezes as pessoas sonham com casas enormes, mas depois percebem que manter um imóvel muito grande exige limpeza, manutenção e pode deixar de ser confortável em outras fases da vida. Tudo depende do estilo de vida do morador."
Entre os problemas mais frequentes encontrados em residências, a arquiteta citou iluminação inadequada, número insuficiente de tomadas e falta de espaços para armazenamento.
"Hoje vemos muitas casas com poucas tomadas, algo que acaba exigindo reformas depois. Outro problema é a falta de locais para guardar objetos. Quando não existe planejamento, a casa parece desorganizada, quando, na verdade, falta espaço de armazenamento."
Ela afirma que esses detalhes interferem diretamente no bem-estar.
"Imagine precisar carregar o celular e não encontrar uma tomada perto de onde você está. São situações simples que acabam gerando desconforto e impactam até a saúde emocional."
Ingrid reforçou que contratar um arquiteto representa um investimento na qualidade de vida e na valorização do imóvel.
"O principal conselho é contratar um arquiteto. Esse profissional consegue enxergar detalhes que muitas vezes passam despercebidos e aproveitar da melhor forma cada metro quadrado da casa. A residência não deve ser apenas um lugar para morar; ela precisa fazer você morar bem."