22/07/2026
--
De Olho na Cidade
InícioFeira de Santana
3 min de leitura

Centro das Indústrias de Feira alerta para impactos do tarifaço dos EUA na economia regional

Presidente da entidade afirma que setores como papel, polpas de frutas e pneumáticos podem ser afetados, com reflexos nas exportações, no emprego e nos investimentos.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
Robson NascimentoReportagem: Robson Nascimento
quarta-feira, 22 de julho de 2026 às 14:00
Imagem de Centro das Indústrias de Feira alerta para impactos do tarifaço dos EUA na economia regional
Foto: JP Miranda

A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros já preocupa o setor industrial. Em entrevista ao portal De Olho na Cidade, o presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS), Geraldo Pires, avaliou que os efeitos da medida vão além das grandes empresas exportadoras e podem atingir diretamente a economia de Feira de Santana, da Bahia e de todo o país.

Segundo ele, o Brasil passa a ocupar uma posição desfavorável no comércio internacional ao enfrentar uma das maiores cargas tarifárias impostas pelos Estados Unidos.

"Não só as empresas de Feira de Santana correm esse risco, como também todo o estado da Bahia e todo o Brasil. Hoje o Brasil é o país mais taxado pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China. É o país mais tarifado da América do Sul", afirmou.

Geraldo explicou que a nova política tarifária atinge diversos segmentos da economia, como etanol, máquinas agrícolas, vestuário, calçados, equipamentos elétricos e produtos químicos. No caso de Feira de Santana, alguns setores específicos devem sentir os impactos de forma mais intensa.

De acordo com o presidente do CIFS, a indústria de papel, a produção de polpas de frutas e o setor de pneumáticos estão entre os mais vulneráveis. Ele destacou que, enquanto o suco de laranja ficou de fora da cobrança, as polpas de frutas não integram a lista de exceções e poderão ser taxadas.

"Aqui em Feira de Santana sofreremos com essa nova tarifa principalmente no setor de papel, no setor de polpas de frutas, porque apenas o suco de laranja ficou na lista de isenção. As polpas provavelmente serão taxadas. O setor de pneumáticos também deve sentir os efeitos", explicou.

Outro segmento que já enfrenta dificuldades, segundo ele, é o da indústria do plástico, pressionada pelo aumento dos custos logísticos internacionais.

"O setor de plástico já vem sofrendo por causa dos problemas no Estreito de Ormuz e do aumento dos custos com transporte. Agora, com essa nova tarifa, a situação tende a ficar ainda mais difícil."

Na avaliação do dirigente industrial, o aumento das tarifas reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano, afetando diretamente as exportações e comprometendo investimentos realizados pelas empresas.

"Quando a tarifa aumenta, diminui a margem das empresas para exportar. Isso pode gerar sobra de produtos, reduzir investimentos e afetar empregos. Muitas empresas contrataram funcionários e investiram em máquinas pensando no mercado externo", destacou.

Ele acrescenta que, embora a redução das exportações pudesse resultar em maior oferta de produtos no mercado interno, isso não significa necessariamente preços menores ao consumidor.

"Em tese, se um produto deixa de ser exportado, ele poderia ficar mais barato aqui. Mas muitos desses produtos têm um custo elevado de produção e, muitas vezes, não compensa para a empresa direcioná-los ao mercado interno", concluiu.

Compartilhar:

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nosso Termos de Uso.