Empreendedor Ivan Coelho destaca crescimento do mercado, interesse dos jovens e paixão pela experiência analógica da música
O universo dos discos de vinil tem ganhado cada vez mais espaço em Feira de Santana e atraído um público diverso, especialmente os jovens. Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia, o empreendedor Ivan Coelho, da Coelho Discos, falou sobre a retomada do mercado.
Segundo Ivan, a relação com os discos começou de forma despretensiosa e acabou se transformando em um hobby que hoje também é trabalho. Ele contou que a paixão foi reacendida em 2015, motivada por lembranças da infância.
“Inicialmente foi por curiosidade, que acabou se tornando um hobby. A partir de um show eu comprei um disco e comecei a me interessar pela ficha técnica, pelo álbum em si. Era algo que os nossos pais colocavam para a gente ouvir, e em 2015 eu reativei essa paixão”, relatou.
De acordo com o empreendedor, o setor vive um momento de crescimento expressivo. Ivan destacou dados que apontam que o mercado de vinil atingiu a marca de US$ 1 bilhão em 2025, consolidando-se como a principal mídia física musical desde a década de 1980.
“Muita gente diz que o vinil morreu, outros afirmam que ele nunca saiu de cena, apenas ficou mais tímido. O fato é que houve um boom e esse mercado está novamente consolidado”, afirmou.
Apesar da forte ligação do vinil com gerações mais antigas, Ivan revelou que a maior parte dos consumidores atualmente é formada por jovens, que representam cerca de 60% do público do segmento.
Para ele, a procura está relacionada ao desejo de identidade e protagonismo cultural.
“O disco de vinil hoje não representa apenas o que você ouve. Ele virou objeto de decoração e imprime personalidade. Quando alguém chega em sua casa e vê sua coleção, aquilo já diz um pouco sobre quem você é”, explicou.
Além dos jovens, antigos colecionadores também têm retornado ao hábito de montar acervos.
“Tem aqueles colecionadores mais antigos, saudosistas, que tiveram suas coleções e precisaram se desfazer ao longo do tempo. Hoje eles estão retomando esse hábito”, acrescentou.
Sobre os estilos musicais mais buscados pelos consumidores, Ivan destacou a força da Música Popular Brasileira (MPB), tanto clássica quanto contemporânea.
“Os artistas mais procurados são da MPB. Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, mas também há grande procura por artistas da nova geração, como Lineker e Rubel”, comentou.
Embora muitos vejam o vinil como item de coleção, Ivan garante que grande parte dos clientes compra os discos para ouvir música de fato, incluindo DJs que têm reativado seus acervos para apresentações ao vivo.
“Tem muita gente que compra para ouvir mesmo. Inclusive DJs têm voltado a usar discos em seus setlists e apresentações ao vivo”, disse.
Ele explicou ainda que os valores dos vinis variam bastante, podendo custar desde R$ 1 até dezenas de milhares de reais, dependendo de fatores como conservação, raridade, tiragem e contexto histórico.
Como exemplo, citou um dos discos mais raros do Brasil, de Zé Ramalho.
“Existe um álbum gravado em Recife que teve poucas cópias preservadas por conta de uma inundação na fábrica. Hoje, uma dessas cópias pode custar entre R$ 30 mil e R$ 40 mil”, destacou.
Na avaliação de Ivan, o grande diferencial do vinil em relação às plataformas digitais está na experiência sensorial proporcionada pelo formato.
“O vinil exige que você pare para ouvir. Você pega a capa, vê a ficha técnica, o encarte, o pôster. É uma experiência tátil e imersiva que o digital não oferece da mesma forma”, pontuou.
Ele ressaltou ainda que o cuidado com os discos continua essencial, já que arranhões comprometem a reprodução e não podem ser revertidos.
“Arranhou, infelizmente perdeu. Ainda não existe tecnologia que reverta isso porque a gravação acontece diretamente na superfície do disco”, explicou.
Atualmente, Ivan trabalha de forma itinerante, participando de eventos e feiras realizadas em Feira de Santana, especialmente aos domingos, na Avenida Getúlio Vargas.
“Além de mim, existem outros lojistas com grande variedade e excelente curadoria. É um evento para toda a família, um espaço para curtir e fazer um bom garimpo musical”, convidou.