08/06/2026
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Conselho Tutelar aponta aumento de casos de abandono de incapaz e suspeitas de abuso em Feira de Santana

Coordenadora do Conselho Tutelar 5, Deise Souza destaca principais ocorrências registradas em 2026 e reforça desafios enfrentados pela rede de proteção à infância

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quarta-feira, 20 de maio de 2026 às 10:51
Imagem de Conselho Tutelar aponta aumento de casos de abandono de incapaz e suspeitas de abuso em Feira de Santana

Os casos de abandono de incapaz e suspeitas de abuso contra crianças e adolescentes estão entre as situações mais recorrentes atendidas pelo Conselho Tutelar em Feira de Santana nos primeiros meses de 2026. O alerta foi feito pela conselheira e coordenadora do Conselho Tutelar 5, Deise Souza, ao detalhar as ações desenvolvidas pelo órgão e os principais desafios enfrentados no município.

Segundo Deise, as denúncias relacionadas a possíveis abusos têm exigido atuação rápida e integrada com outros órgãos da rede de proteção. Ela explicou que o Conselho Tutelar não tem atribuição para confirmar os casos, mas atua imediatamente diante de qualquer suspeita.

Foto: JP Miranda

“Nesses cinco meses do ano de 2026, o que mais tem tido destaque é o abandono de incapaz e o abuso, a suspeita do abuso. Nós não atestamos abuso, mas, quando existe denúncia ou possibilidade, fazemos os encaminhamentos necessários”, afirmou.

De acordo com a coordenadora, após o recebimento das denúncias, os casos são direcionados para escuta especializada, garantindo que a criança ou adolescente seja ouvido em ambiente apropriado. Além disso, o Conselho aciona órgãos responsáveis pela investigação e proteção.

“Nós encaminhamos para a escuta especializada, para que a criança ou adolescente seja ouvido e diga o que passou naquela situação específica. Também fazemos encaminhamento para o CREAS e acionamos a Polícia Civil e, quando necessário, a Polícia Militar”, explicou.

Nos casos de abandono de incapaz, Deise informou que a equipe vai até o local para avaliar a situação e garantir a segurança da criança ou adolescente. Dependendo da gravidade, pode haver acolhimento institucional ou encaminhamento para familiares aptos a assumir os cuidados.

“Quando se trata de abandono de incapaz, fazemos o acolhimento da criança, seja em órgão institucional ou junto a outros familiares que tenham condições de cuidar”, destacou.

A coordenadora ressaltou ainda que o trabalho do Conselho Tutelar também envolve orientação e conscientização das famílias, sempre com base nas diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“Nós trabalhamos dentro da lei que o ECA exige. Fazemos advertência, orientação e conscientização para evitar que essas situações continuem acontecendo”, pontuou.

Desafios enfrentados

Ao comentar os principais obstáculos da atuação do Conselho Tutelar em Feira de Santana, Deise afirmou que a falta de compreensão por parte da população ainda é uma das maiores dificuldades, especialmente nos casos de acolhimento institucional.

Segundo ela, muitas pessoas não compreendem que a retirada de uma criança do ambiente familiar ocorre quando há risco à integridade física e emocional do menor.

“O maior desafio é a aceitação da comunidade quando chegamos, principalmente em acolhimentos institucionais. Muitas vezes, a população não entende que estamos retirando a criança de uma situação de risco”, declarou.

A conselheira também chamou atenção para situações recorrentes envolvendo crianças sozinhas em casa e o trabalho infantil, problema que, segundo ela, ainda é preocupante no município.

“A situação de trabalho infantil é gritante em Feira de Santana. Muitas vezes vamos fazer a retirada dessas crianças e a população não aceita a nossa atuação”, lamentou.

Deise reforçou que a missão do Conselho Tutelar é garantir direitos e prevenir situações mais graves envolvendo crianças e adolescentes.

“O trabalho do Conselho Tutelar é garantir direitos, tirar a criança da situação de risco e evitar que algo pior aconteça. Nós trabalhamos com a prevenção”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda

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