Candidato a deputado federal ressalta papel da Petrobras, da agricultura familiar e dos trabalhadores na construção de um novo modelo energético para o Brasil
Celebrado nesta terça-feira (28), o Dia do Agricultor e da Agricultora ganha destaque no debate sobre o futuro da energia no Brasil. Para o sindicalista licenciado e candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia, Deyvid Bacelar, não há transição energética justa sem a participação dos trabalhadores e trabalhadoras da agricultura familiar.
“A transição energética justa e inclusiva precisa ser feita a partir do campo, envolvendo a agricultura familiar nos projetos dessa gigantesca empresa brasileira que é a Petrobras”, afirmou Bacelar. Segundo ele, o processo deve resultar na geração de “empregos de qualidade, com remunerações dignas”, além de exigir diálogo com os trabalhadores e a criação de políticas públicas voltadas às comunidades impactadas.
Bacelar defende que o Brasil siga um modelo próprio de transição energética.
“A transição energética no Brasil precisa construir um caminho próprio, com soberania e inclusão social”, declarou. Para o dirigente sindical, o Estado deve atuar na coordenação desse processo, garantindo não apenas a redução das emissões de gases do efeito estufa, mas também a geração de emprego, renda e desenvolvimento, respeitando as características de cada território.
No Dia do Agricultor e da Agricultora, a inclusão do campo aparece como um dos principais pontos da discussão. Bacelar destaca que a produção de oleaginosas destinadas ao biodiesel não deve ficar concentrada apenas no agronegócio. De acordo com ele, a agricultura familiar possui capacidade para produzir culturas como mamona, pinhão-manso e soja, ampliando a geração de renda no interior e contribuindo para a redução dos custos dos combustíveis.
O candidato também defende investimentos em qualificação profissional e proteção social.
“Enquanto estive dirigindo a Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), alertamos para a necessidade de qualificação profissional, fortalecimento dos serviços públicos e combate à pobreza energética, além da ampliação da proteção social às comunidades mais impactadas pela crise climática”, afirmou.
Segundo Bacelar, o governo Lula sancionou, em 2024, o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), iniciativa que, na avaliação dele, representa um avanço para o enfrentamento das mudanças climáticas e para o desenvolvimento econômico do país.
“Agora podemos ter uma lei que considera a transição energética como uma necessidade para o enfrentamento climático e, principalmente, uma oportunidade para transformar o Brasil em um país mais desenvolvido e justo”, destacou.
Entre os mecanismos criados pelo programa está o Fundo Verde, voltado ao financiamento de projetos sustentáveis. A Petrobras também ampliou sua previsão de investimentos em energia limpa, passando a destinar entre 9% e 15% dos recursos previstos para o período de 2024 a 2028.
No campo político, Bacelar afirma que a discussão envolve o papel das empresas estatais no desenvolvimento nacional. Para ele, a transição energética deve ser utilizada como instrumento de reindustrialização e fortalecimento das empresas públicas.
“Defendemos uma transição energética justa, financiada pela renda do petróleo”, afirmou. O dirigente também ressaltou que a retomada das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafens) na Bahia e em Sergipe contribui para reduzir a dependência externa do país e aproximar a produção agrícola da indústria nacional.
“Não há revolução verde sem inclusão social, trabalho digno e soberania alimentar. Por isso foi fundamental a Petrobras ter voltado a ser peça central nesse processo com o retorno ao setor de fertilizantes”, declarou.
Após anos de desinvestimentos, a Petrobras retomou as operações das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe e avança na reabertura da unidade do Paraná e na conclusão da UFN-III, em Mato Grosso do Sul.
Bacelar classificou a medida como estratégica para o país. “O Brasil ainda importa até 90% dos fertilizantes. Só essas duas fábricas no Nordeste estão gerando aproximadamente 3 mil empregos e fornecendo insumos para a agricultura familiar e agroindústria da região”, afirmou.