09/06/2026
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Em meio à guerra, franciscano que guiaria grupo de Feira pede esperança e orações

Ele ressalta que a fé tem sido o principal suporte para enfrentar o momento.

Redação:
segunda-feira, 02 de março de 2026 às 18:11
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Direto da Terra Santa, o frade franciscano Frei Valdir Nunes Ribeiro, da Província de São Paulo, conversou com o programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM e atualizou o cenário vivido em Israel após o início de uma nova escalada militar envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos.

Morando há cinco anos no país e atuando também como guia de peregrinações na Terra Santa, o religioso relatou cautela, restrições e impacto imediato no turismo, setor fundamental para a economia local.

Foto: Arquivo Pessoal

Esta não é a primeira vez que Frei Valdir vive em zona de guerra. Antes de chegar a Israel, ele passou seis anos em missão em Angola, também durante período de conflito. Ainda assim, destaca diferenças.

“Aqui é tudo mais tecnológico, mais moderno. É uma guerra quase virtual, porque a tecnologia está envolvida em tudo. Mas a gente acaba se habituando, sabendo que a realidade aqui é assim”, afirmou.

Ele ressalta que a fé tem sido o principal suporte para enfrentar o momento.

“Nós estamos aqui por causa da nossa fé. Procuramos viver esse contexto sem desespero, com tranquilidade e esperança. Dar testemunho nesse momento também é parte da nossa missão.”

Frei Valdir está em Betânia, próxima a Jerusalém, e explicou que há orientação para evitar deslocamentos nos primeiros dias do conflito.

“Os primeiros dias em geral são mais acalorados, mais fortes. Temos orientação de evitar circular, a não ser em caso de extrema necessidade. Ficamos mais em casa por segurança.”

Apesar das restrições, os santuários seguem abertos. Na manhã da entrevista, um grupo de peregrinos da Índia visitou a região.

“Quem vier será acolhido. Esperamos que tudo termine logo para podermos celebrar a Páscoa com tranquilidade.”

O espaço aéreo israelense foi fechado temporariamente. Segundo o religioso, companhias aéreas ligadas ao país operam de forma bastante limitada.

“Por segurança, as empresas não vão expor aeronaves e passageiros ao risco. O fluxo de entradas e saídas está bem reduzido, quase zero.”

Uma alternativa tradicional em momentos de crise seria a saída pela Jordânia, mas também houve registro de ataques na região, o que ampliou as restrições.

No campo econômico, o impacto é imediato, especialmente no turismo religioso.

“Israel vive muito do turismo. Cada conflito atrasa ou cancela grupos de peregrinos. Isso atinge diretamente quem trabalha com essa área.”

Ele relembra que o setor já sofreu sucessivos abalos: a pandemia de Covid-19, ataques do Hamas em 2021 e 2023 — incluindo os eventos de 7 de outubro — e novos confrontos em 2024. Agora, mais uma escalada compromete novamente a chegada de visitantes.

Entre os grupos afetados está a caravana de Feira de Santana, que tinha embarque programado para este mês. Frei Valdir seria o guia espiritual e turístico da comitiva, que já havia adiado viagem anterior em 2023 devido ao conflito iniciado em 7 de outubro.

“Não percam a coragem e a esperança. Estamos num momento delicado, mas isso também passa”, incentivou o frei.

Ele destacou que outros grupos do Rio Grande do Sul, Paraná e Brasília seguem em preparação para viagens nos próximos meses e reforçou a importância de manter o desejo de peregrinar.

“A Terra Santa já viveu muitos conflitos ao longo da história. Nossa memória é de sobrevivência e esperança. O limite também purifica a fé.”

Em pleno período da Quaresma, Frei Valdir convocou fiéis do mundo inteiro à oração pela paz.

“Somos chamados a ser construtores de paz. Quando há guerra, a vida humana fica limitada e até brutalizada. Que nos unamos em oração para que possamos viver uma verdadeira conversão e construir um mundo mais fraterno.”

Mesmo diante das incertezas, ele mantém a confiança em dias melhores.

“O dia que puderem vir, venham como peregrinos de esperança. Será uma alegria nos encontrarmos e fazermos o caminho juntos.”

A caravana feirense, agora adiada pela segunda vez, aguarda um cenário de estabilidade para viagem à Terra Santa.

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