Áquilla Chahinne destaca riscos de infecção, bactérias multirresistentes e reforça importância do tratamento precoce e especializado
A especialista em tratamento de feridas Áquilla Chahinne, da Clínica Doutor Curativos, alertou durante entrevista ao programa Cidade em Pauta que feridas cirúrgicas podem sim evoluir com complicações, especialmente quando não recebem acompanhamento adequado.
Segundo ela, dúvidas sobre o tema são frequentes após os programas.
“Quando a senhora sai, fica uma enxurrada de perguntas e dúvidas que não dá tempo de tirar durante o programa”, relatou a equipe, reforçando a importância da orientação contínua.
Áquilla foi direta ao responder sobre o risco: “Sim, e é muito mais comum do que muitas pessoas imaginam”. Ela explicou que infecções, inflamações e problemas no pós-operatório podem surgir mesmo em procedimentos simples.
“Pode acontecer seroma, infecção da cirurgia. Eu tenho paciente que vou atender agora que teve complicação no pós-cirúrgico e desenvolveu inflamação dos pontos”, afirmou.
Ela destacou ainda que cirurgias como cesarianas, plásticas e ortopédicas exigem atenção, já que envolvem resposta inflamatória do organismo.
“O corpo precisa estar bem para conseguir dar uma resposta adequada ao processo de cicatrização.”
A especialista diferenciou os tipos de feridas. Segundo ela, a cirúrgica é considerada aguda e deveria cicatrizar entre 10 e 15 dias.
“Quando a gente fala de ferida crônica, é aquela com mais de 30 dias sem cicatrizar ou que está estagnada”, explicou.
Ela também chamou atenção para a dimensão do problema no Brasil: “Hoje temos mais de 5 milhões de pessoas convivendo com feridas no país, e esse número provavelmente é ainda maior”.
Entre as complicações, a infecção foi apontada como a mais perigosa.
“A infecção leva à necessidade de hospitalização e pode evoluir para infecção generalizada e até óbito”, alertou Áquilla.
Ela explicou que o quadro pode começar de forma localizada e evoluir para casos graves.
“Pode iniciar com vermelhidão e secreção e chegar a atingir os ossos, como a osteomielite”.
Outro ponto de alerta são as bactérias multirresistentes e o biofilme que se forma nas feridas.
“Muitas vezes a ferida não parece tão ruim, mas existem bactérias difíceis de tratar, que podem exigir antibiótico venoso e até internação”, disse.
Ela citou um caso extremo: “Atendi uma paciente com 60 anos de feridas. Ao longo de décadas, ela desenvolveu infecções recorrentes e resistência a antibióticos”.
Para Áquilla, o tempo é determinante: “Quanto mais demora para procurar tratamento especializado, mais complicado fica”.
A especialista explicou que dor e mau odor são sinais de alerta.
“Isso é sinal claro de infecção”, afirmou.
Segundo ela, a clínica utiliza tecnologias modernas para controle bacteriano.
“Usamos curativos antimicrobianos, laser e fotossensibilizador para romper a membrana das bactérias”.
Durante a entrevista, a paciente Maria Giovanna Costa Oliveira, de Conceição do Coité, relatou evolução positiva no tratamento.
“Graças a Deus e à doutora, meus procedimentos estão bem avançados. Eu estou curada”, disse emocionada.
Áquilla reforçou que muitos pacientes chegam acreditando que cuidados caseiros são suficientes.
“Muitas pessoas acham que é só trocar gaze ou lavar com soro, mas o tratamento avançado envolve avaliação criteriosa e tecnologias específicas”, explicou.
Ela fez um apelo: “Se você tem uma ferida, dor, odor ou pele sensível, não espere piorar. Procure atendimento especializado”.
Contato da Clínica Doutor Curativos: (75) 9 9855-2999
Endereço: Edifício Ícone, Av. Getúlio Vargas, sala 403, Feira de Santana