Especialistas explicam que exame detalhado permite identificar a extensão da doença, avaliar órgãos além do útero e orientar a conduta médica, inclusive em casos relacionados à infertilidade.
A endometriose, doença que afeta milhões de mulheres e pode causar dores intensas, alterações intestinais e dificuldades para engravidar, foi o tema do quadro Saúde em Pauta. A nutróloga Dra. Aline Jardim recebeu a médica radiologista Dra. Mayana Mascarenhas para esclarecer como o mapeamento de endometriose por ultrassonografia tem contribuído para um diagnóstico mais preciso e para o planejamento do tratamento.
A radiologista explicou que sua especialidade vai muito além da realização de exames.
"O médico radiologista é especializado em diagnóstico por imagem. Nós abrangemos métodos como ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, mamografia e densitometria óssea", destacou Dra. Mayana.
Segundo a especialista, muitas pacientes confundem o exame convencional com o mapeamento de endometriose, mas eles têm finalidades diferentes.
Enquanto o ultrassom transvaginal avalia principalmente útero e ovários, o mapeamento investiga, de forma detalhada, todas as regiões onde a doença pode estar presente.
"O mapeamento de endometriose é um exame específico, bem minucioso e detalhado. Avaliamos não só o útero, mas também intestino, bexiga, ureteres, ligamentos e toda a região posterior ao útero", explicou.
A médica ressaltou que o procedimento costuma durar entre 40 minutos e uma hora justamente pela necessidade de analisar diferentes estruturas.
Para a nutróloga Dra. Aline Jardim, essa avaliação mais ampla é fundamental para definir a extensão da doença.
"A gente sabe que a endometriose pode se estender para o intestino e para a bexiga. Esse diagnóstico ajuda a entender a extensão da doença e definir se o tratamento será cirúrgico ou não."
Outro diferencial do exame é que ele não se limita à via transvaginal.
De acordo com Dra. Mayana, o estudo começa pelo abdômen porque a endometriose pode atingir regiões mais altas do organismo.
"O exame não é só transvaginal. Começamos pelo abdômen, avaliamos a parede abdominal, principalmente em pacientes com cicatriz de cesárea ou outras cirurgias, e depois seguimos para o exame vaginal."
Uma das maiores dúvidas das pacientes é sobre o preparo e o desconforto do procedimento.
A radiologista tranquilizou as mulheres ao afirmar que o exame não requer sedação.
"O desconforto é semelhante ao de um ultrassom transvaginal comum. Algumas pacientes com endometriose mais avançada podem sentir mais incômodo por causa da doença, não do exame."
Ela explicou que o preparo começa na véspera, com dieta leve, uso de laxantes e um pequeno enema poucas horas antes da realização do procedimento.
"As recepcionistas enviam todo o preparo detalhado pelo WhatsApp quando a paciente agenda o exame."
Dra. Aline lembrou que muitas mulheres ainda acreditam que apenas a ressonância magnética consegue diagnosticar a endometriose.
Segundo Dra. Mayana, essa realidade mudou.
"Hoje o mapeamento de endometriose por ultrassom é o exame de primeira linha para o diagnóstico da doença."
Ela explicou que a ultrassonografia oferece vantagens importantes, especialmente na avaliação do intestino e das aderências causadas pela endometriose.
"Na ultrassonografia eu faço uma avaliação dinâmica. Consigo realizar manobras durante o exame e identificar melhor as aderências. Se a paciente demonstra dor em determinada região, isso direciona ainda mais a investigação."
Outro ponto destacado foi a importância do exame para mulheres que desejam engravidar.
A nutróloga observou que uma das principais preocupações das pacientes após receberem o diagnóstico é saber se poderão ter filhos.
Segundo ela, o mapeamento fornece informações fundamentais para que o ginecologista defina a melhor estratégia terapêutica.
Dra. Aline reforçou que o avanço da ultrassonografia especializada permite diagnósticos cada vez mais precoces e precisos.
"Hoje existem equipamentos e profissionais capacitados para fazer esse diagnóstico e dar um norte ao tratamento."
Já Dra. Mayana destacou a importância de ampliar o acesso à informação sobre a doença e seus métodos de investigação, permitindo que mais mulheres busquem avaliação especializada diante de sintomas persistentes.