10/08/2026
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Mapeamento por ultrassonografia amplia diagnóstico da endometriose e ajuda a definir tratamento

Especialistas explicam que exame detalhado permite identificar a extensão da doença, avaliar órgãos além do útero e orientar a conduta médica, inclusive em casos relacionados à infertilidade.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
domingo, 09 de agosto de 2026 às 07:09
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A endometriose, doença que afeta milhões de mulheres e pode causar dores intensas, alterações intestinais e dificuldades para engravidar, foi o tema do quadro Saúde em Pauta. A nutróloga Dra. Aline Jardim recebeu a médica radiologista Dra. Mayana Mascarenhas para esclarecer como o mapeamento de endometriose por ultrassonografia tem contribuído para um diagnóstico mais preciso e para o planejamento do tratamento.

A radiologista explicou que sua especialidade vai muito além da realização de exames.

"O médico radiologista é especializado em diagnóstico por imagem. Nós abrangemos métodos como ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, mamografia e densitometria óssea", destacou Dra. Mayana.

Exame vai além do ultrassom convencional

Segundo a especialista, muitas pacientes confundem o exame convencional com o mapeamento de endometriose, mas eles têm finalidades diferentes.

Enquanto o ultrassom transvaginal avalia principalmente útero e ovários, o mapeamento investiga, de forma detalhada, todas as regiões onde a doença pode estar presente.

"O mapeamento de endometriose é um exame específico, bem minucioso e detalhado. Avaliamos não só o útero, mas também intestino, bexiga, ureteres, ligamentos e toda a região posterior ao útero", explicou.

A médica ressaltou que o procedimento costuma durar entre 40 minutos e uma hora justamente pela necessidade de analisar diferentes estruturas.

Para a nutróloga Dra. Aline Jardim, essa avaliação mais ampla é fundamental para definir a extensão da doença.

"A gente sabe que a endometriose pode se estender para o intestino e para a bexiga. Esse diagnóstico ajuda a entender a extensão da doença e definir se o tratamento será cirúrgico ou não."

Avaliação começa pelo abdômen

Outro diferencial do exame é que ele não se limita à via transvaginal.

De acordo com Dra. Mayana, o estudo começa pelo abdômen porque a endometriose pode atingir regiões mais altas do organismo.

"O exame não é só transvaginal. Começamos pelo abdômen, avaliamos a parede abdominal, principalmente em pacientes com cicatriz de cesárea ou outras cirurgias, e depois seguimos para o exame vaginal."

Preparo é simples e não exige sedação

Uma das maiores dúvidas das pacientes é sobre o preparo e o desconforto do procedimento.

A radiologista tranquilizou as mulheres ao afirmar que o exame não requer sedação.

"O desconforto é semelhante ao de um ultrassom transvaginal comum. Algumas pacientes com endometriose mais avançada podem sentir mais incômodo por causa da doença, não do exame."

Ela explicou que o preparo começa na véspera, com dieta leve, uso de laxantes e um pequeno enema poucas horas antes da realização do procedimento.

"As recepcionistas enviam todo o preparo detalhado pelo WhatsApp quando a paciente agenda o exame."

Ultrassom é exame de primeira linha

Dra. Aline lembrou que muitas mulheres ainda acreditam que apenas a ressonância magnética consegue diagnosticar a endometriose.

Segundo Dra. Mayana, essa realidade mudou.

"Hoje o mapeamento de endometriose por ultrassom é o exame de primeira linha para o diagnóstico da doença."

Ela explicou que a ultrassonografia oferece vantagens importantes, especialmente na avaliação do intestino e das aderências causadas pela endometriose.

"Na ultrassonografia eu faço uma avaliação dinâmica. Consigo realizar manobras durante o exame e identificar melhor as aderências. Se a paciente demonstra dor em determinada região, isso direciona ainda mais a investigação."

Diagnóstico ajuda no planejamento da gravidez

Outro ponto destacado foi a importância do exame para mulheres que desejam engravidar.

A nutróloga observou que uma das principais preocupações das pacientes após receberem o diagnóstico é saber se poderão ter filhos.

Segundo ela, o mapeamento fornece informações fundamentais para que o ginecologista defina a melhor estratégia terapêutica.

Dra. Aline reforçou que o avanço da ultrassonografia especializada permite diagnósticos cada vez mais precoces e precisos.

"Hoje existem equipamentos e profissionais capacitados para fazer esse diagnóstico e dar um norte ao tratamento."

Já Dra. Mayana destacou a importância de ampliar o acesso à informação sobre a doença e seus métodos de investigação, permitindo que mais mulheres busquem avaliação especializada diante de sintomas persistentes.

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