10/08/2026
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De Olho na Cidade
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Rinite, resfriado ou sinusite? Otorrinolaringologista explica como diferenciar os sintomas e evitar tratamentos errados

Dra. Karoline Cedraz destaca que a lavagem nasal e o controle dos fatores alérgicos são aliados importantes na prevenção.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
domingo, 09 de agosto de 2026 às 10:15
Imagem de Rinite, resfriado ou sinusite? Otorrinolaringologista explica como diferenciar os sintomas e evitar tratamentos errados

Espirros frequentes, nariz entupido, coriza e dor de cabeça são sintomas que costumam gerar dúvidas entre os pacientes. Afinal, trata-se de rinite, resfriado ou sinusite? Apesar de apresentarem sinais semelhantes, as três condições têm causas e tratamentos diferentes. Em entrevista ao programa De Olho na Cidade, a médica otorrinolaringologista Dra. Karoline Cedraz esclareceu as principais diferenças e fez um alerta contra a automedicação.

Segundo a especialista, a rinite alérgica é uma inflamação do nariz provocada por fatores ambientais, como poeira, ácaros, mofo e pelos de animais. Diferentemente do resfriado, ela não é causada por vírus ou bactérias e costuma ser uma doença crônica, marcada por crises recorrentes.

"A rinite é uma inflamação do nariz. Ela está relacionada a um processo alérgico e não tem a ver com vírus ou bactéria. Enquanto você não fizer um tratamento bem feito, ela vai continuar assolando o seu nariz."

A médica explica que quem sofre com rinite geralmente apresenta episódios repetitivos de espirros, coceira no nariz, coriza e obstrução nasal, principalmente ao entrar em contato com agentes alérgenos.

Já o resfriado possui origem viral e, em alguns casos, bacteriana, sendo transmitido entre as pessoas. Além dos sintomas nasais, costuma provocar febre, dor de garganta, mal-estar e secreção mais espessa.

"O paciente percebe que não é só uma alergia simples. Já aparece febre, dor de garganta, catarro e aquela sensação de que está gripado."

Dra. Karoline destaca que, enquanto a rinite costuma responder ao uso de medicamentos antialérgicos, o resfriado exige outro tipo de abordagem.

"Não é o antialérgico que vai resolver um quadro gripal. Muitas vezes fazemos tratamento dos sintomas, lavagem nasal e aguardamos a evolução da doença."

Outro ponto abordado foi a relação entre resfriado e sinusite. Segundo a otorrinolaringologista, a sinusite frequentemente aparece como uma complicação quando o quadro gripal persiste por vários dias.

"Quando os sintomas passam de cinco, seis dias e evoluem por mais de uma semana com piora, a gente já pensa em uma sinusite bacteriana."

Entre os sinais de alerta estão febre persistente, dor intensa na face, dor de cabeça e secreção nasal espessa por vários dias.

Uma dúvida comum dos pacientes é por que alguns antialérgicos parecem perder o efeito com o tempo. De acordo com a médica, isso geralmente acontece porque a rinite não está sendo tratada de forma adequada.

"O tratamento da rinite persistente não é o antialérgico. O principal tratamento é o corticoide nasal, associado à lavagem nasal por um período de 30 a 60 dias."

Ela ressalta que o antialérgico ajuda a controlar os sintomas iniciais, mas não substitui o tratamento contínuo quando a doença é persistente.

Ambiente faz diferença

A prevenção também depende de cuidados com o ambiente. Manter a casa limpa, evitar mofo, trocar travesseiros e colchões antigos e realizar lavagens nasais regularmente podem reduzir significativamente as crises.

Dra. Karoline lembra que, na Bahia, períodos como o São João favorecem o agravamento da rinite devido ao aumento da fumaça e da poluição do ar.

"Costumo orientar os pacientes a iniciarem a lavagem nasal e o spray alguns dias antes das festas, porque isso ajuda a manter a mucosa saudável e evita a exacerbação da alergia."

Casos mais graves podem exigir imunoterapia

Nos pacientes que não respondem ao tratamento convencional, existe a possibilidade da imunoterapia, popularmente conhecida como "vacina da rinite". Porém, a médica explica que o tratamento exige acompanhamento prolongado.

"Não é uma dose única. Em média, são de três a cinco anos de tratamento com imunobiológicos, indicado apenas para casos mais persistentes."

Diagnóstico é clínico

Segundo a especialista, o diagnóstico da rinite é feito principalmente pela avaliação dos sintomas e do histórico do paciente, sem necessidade de exames na maioria dos casos.

"O diagnóstico é clínico. Avaliamos a frequência dos espirros, da coriza, da obstrução nasal e fazemos o exame físico. Exames complementares são utilizados apenas quando necessário."

Já nos casos de suspeita de sinusite, podem ser solicitados exames como vídeoendoscopia nasal e tomografia da face.

Automedicação pode trazer riscos

Dra. Karoline reforçou que o uso indiscriminado de medicamentos, principalmente antibióticos, pode causar resistência bacteriana e dificultar tratamentos futuros.

"A lavagem nasal é amiga de todo mundo, mas quando começamos a usar antibióticos sem necessidade, isso passa a ser um problema por aumentar a resistência das bactérias."

Ela orienta que, caso os sintomas persistam por mais de quatro ou cinco dias, ou apresentem piora importante, o paciente deve procurar um médico otorrinolaringologista para receber o diagnóstico correto e iniciar o tratamento adequado.

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