Oftalmologista Daniel Braga explica evolução da cirurgia, tipos de lentes intraoculares e importância da avaliação individualizada
Durante o Agosto Cinza, campanha voltada à conscientização sobre a catarata, o oftalmologista Dr. Daniel Braga chama atenção para a importância da informação e do acompanhamento médico para identificar o problema e buscar o tratamento adequado.
A catarata ocorre quando o cristalino, a lente natural do olho, sofre alterações e fica progressivamente opaco, comprometendo a qualidade da visão. Segundo o especialista, a condição está diretamente relacionada ao envelhecimento e, em algum momento da vida, pode atingir grande parte da população.
“A catarata é uma condição que todos nós vamos viver. É igual cabelo branco. Cabelo branco e catarata, meu amigo. Só precisa chegar lá. Todo mundo vai ter um dia”, explicou.

De acordo com o oftalmologista, a cirurgia de catarata passou por grandes avanços tecnológicos. Diferentemente do que acontecia no passado, quando era comum esperar a catarata “amadurecer” para realizar o procedimento, atualmente a indicação cirúrgica pode ocorrer de acordo com o impacto da doença na visão e na qualidade de vida do paciente.
“Antigamente se falava em amadurecer a catarata para depois operar. Mas hoje não. Hoje em dia as técnicas cirúrgicas são muito rápidas, indolores, e a reabilitação visual também é muito rápida”, afirmou.
O procedimento consiste na retirada do cristalino que perdeu sua transparência e na implantação de uma lente intraocular, que passa a exercer a função da lente natural do olho. Segundo Dr. Daniel, em mãos experientes, a cirurgia pode ser realizada em poucos minutos.
“Em dez, quinze minutinhos, um cirurgião experiente resolve: tira o cristalino e implanta uma lente. Uma lente intraocular que vai substituir o cristalino”, explicou.
Outro avanço destacado pelo médico é a evolução das lentes intraoculares. Atualmente, existem diferentes modelos, capazes de atender às necessidades específicas de cada paciente e, em alguns casos, reduzir ou até eliminar a dependência dos óculos.
Entre as opções estão lentes monofocais, bifocais e trifocais, além de modelos que podem corrigir problemas como astigmatismo, hipermetropia e presbiopia, conhecida como dificuldade para enxergar de perto.
“Nem sempre a lente mais cara é a melhor. A lente melhor é aquela mais indicada para cada caso. Isso é uma conversa com o oftalmologista, uma orientação bem feita, que vai definir o uso da lente intraocular”, ressaltou.
O especialista reforça que a escolha da lente deve ser individualizada, considerando as características dos olhos, as necessidades e as expectativas de cada paciente.
Embora a chamada catarata senil, relacionada ao envelhecimento, seja a forma mais comum, Dr. Daniel explica que outros fatores também podem provocar o problema.
Segundo ele, o uso de determinados medicamentos, especialmente corticoides, alterações metabólicas, diabetes sem controle adequado, traumas oculares e algumas doenças dos olhos podem contribuir para o surgimento da catarata.
Também existe a catarata infantil, que pode aparecer ainda nos primeiros anos de vida e exige avaliação especializada.
“Existe a catarata induzida por drogas, uso de corticoide principalmente. Existe catarata induzida por algum distúrbio metabólico, por pacientes diabéticos mal controlados. Existe a catarata infantil, catarata traumática e doenças no olho podem causar catarata”, explicou.
O oftalmologista também destacou que, em determinadas situações, procedimentos envolvendo o cristalino podem ser utilizados com finalidade refrativa, especialmente em pacientes acima dos 55 anos.
Entretanto, Dr. Daniel ressalta que nem sempre é necessário substituir um cristalino transparente para corrigir um grau. Segundo ele, existem tecnologias a laser capazes de tratar determinados erros refrativos e a presbiopia de forma menos invasiva.
“Cada caso deve ser avaliado juntamente com o oftalmologista experiente em cirurgia refrativa, um cirurgião habilitado, para que seja conduzida a melhor opção para cada paciente”, orientou.
Para Dr. Daniel, um dos principais objetivos do Agosto Cinza é justamente ampliar o acesso à informação e reduzir o medo que muitas pessoas ainda sentem quando precisam passar por um procedimento oftalmológico.
O médico destaca que a tecnologia trouxe mais segurança para as cirurgias, mas considera fundamental que o paciente tenha uma boa orientação antes de tomar qualquer decisão.
“O medo é natural, muita gente tem. Mas o medo vem da falta de orientação, vem da falta do conhecimento. A informação hoje está disponível para todo mundo”, afirmou.
O especialista recomenda que o paciente busque informações, tire dúvidas e converse com o oftalmologista responsável pelo tratamento antes de realizar qualquer procedimento.
“Você deve se orientar para depois perguntar ao seu médico e esclarecer suas dúvidas. Com certeza seu medo vai embora, a orientação vai ser bem dirigida, e o sucesso de um procedimento depende disso aí, da confiança e da relação entre o médico e o paciente.”