08/10/2026
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5 min de leitura

Meu Bairro em Pauta: A História e as histórias da Queimadinha

Memórias de Pery Cruz revelam as origens do bairro e personagens que ajudaram a construir sua identidade e cultura

Victória SilvaRedação: Victória Silva
JP MirandaReportagem: JP Miranda
segunda-feira, 17 de agosto de 2026 às 08:02
Imagem de Meu Bairro em Pauta: A História e as histórias da Queimadinha

Localizado a poucos minutos do centro de Feira de Santana, o bairro Queimadinha carrega uma história construída ao longo de décadas por moradores, trabalhadores, artistas e personagens que ajudaram a formar a identidade da comunidade. Entre versões sobre a origem do nome, manifestações culturais e histórias curiosas.

Quem conhece de perto essa trajetória é Perivaldo Oliveira da Cruz, o Pery Cruz, cantor, compositor e entusiasta da história do bairro. Para ele, a Queimadinha é, acima de tudo, um lugar de pertencimento.

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“A Queimadinha é um bairro bom de morar, um bairro onde eu me sinto muito bem. É o meu refúgio.”

De onde vem o nome Queimadinha?

A origem do nome do bairro não é oficialmente comprovada, mas uma das versões mais conhecidas está relacionada à presença de tropeiros na região entre as décadas de 1940 e 1950. Segundo a tradição oral, como não havia energia elétrica, eles utilizavam queimadas para iluminar a área durante a noite.

Pery Cruz ressalta que essa é apenas uma das explicações que chegaram até ele e que a história do bairro ainda possui muitos capítulos que precisam ser preservados.

A capoeira que atravessou gerações

Entre as histórias familiares que se misturam à memória da Queimadinha está a trajetória de Elias Jesus da Cruz, conhecido como Gato da Noite, pai de Pery. Segundo ele, o pai teve papel importante na introdução da capoeira na comunidade.

Gato Da Noite

“Ele foi a primeira pessoa a trazer a arte da capoeira, a dança da capoeira para a Queimadinha. Em meados dos anos 1980, trouxe de Vitória da Conquista e chegou na residência, no quintal, formou uma roda de capoeira.”

A iniciativa acabou se espalhando pelo bairro e ajudou a estabelecer uma tradição cultural que permanece na memória dos moradores.

Capoeira

O mistério do fogo no chão

A Queimadinha também guarda histórias curiosas que parecem ter saído de um filme. Uma delas envolve uma área próxima à lagoa onde, segundo Pery, durante determinado período, era possível observar fogo surgindo no solo.

A explicação estaria relacionada às antigas ocupações da região, ao acúmulo de lixo e à decomposição de matéria orgânica, que teria provocado a combustão de materiais. O fenômeno chegou a chamar a atenção da imprensa.

“Tem uma casa também que saía fogo no chão. Parece coisa de filme de terror, mas isso aconteceu por conta das invasões que tiveram aqui na lagoa e da combustão do lixo com a matéria orgânica”, relembra.

Amendoim como fonte de renda

Outra marca da comunidade é o comércio de amendoim. De acordo com Pery, a atividade representa há muitos anos uma importante fonte de sustento para famílias do bairro.

“Há muito tempo existe uma forma de ganho de trabalho aqui, que é o comércio do amendoim. Aqui tem o melhor amendoim de Feira de Santana. As pessoas sobrevivem desse comércio.”

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O entrevistado também defende uma maior atenção do poder público ao setor e aos espaços utilizados pelos trabalhadores.

Talentos que nasceram na Queimadinha

Para Pery, a comunidade também revelou personagens que contribuíram para a cultura e para a comunicação de Feira de Santana. Entre eles está o músico Budica, lembrado por uma história inusitada: a construção de um pequeno avião artesanal.

Segundo o relato, o equipamento chegou a decolar, mas acabou caindo na região da Praça do Bateu. A invenção despertou a atenção do Exército, que teria ido ao local para recolher o avião.

Outro nome citado é Carlos Silva, apontado por Pery como um dos primeiros cinegrafistas da TV Subaé em Feira de Santana.

“Carlos é um cara espetacular, com um talento incrível e uma personalidade única. E é meu amigo também”, afirma.

A vida cultural que deixou saudade

Além das grandes histórias, a memória da Queimadinha também é formada por espaços de convivência que marcaram diferentes gerações. Pery lembra de bares, eventos, serestas e locais onde os moradores se encontravam para dançar, ouvir música e socializar.

Entre as lembranças estão apresentações de seresta e espaços frequentados pela juventude em diferentes épocas, que funcionavam como pontos de encontro e fortalecimento dos vínculos comunitários.

Para Pery Cruz, resgatar essas histórias é também uma forma de mostrar que a Queimadinha possui uma identidade própria, construída por pessoas que trabalharam, criaram, ensinaram e ajudaram a transformar o bairro.

“É um bairro cultural, muito bom de morar, a cinco minutos do centro da cidade. Tem muitas pessoas aqui que são maquiadoras, professores, médicos. Tem um conjunto de positividade que o Brasil ainda deve conhecer.”

A memória da Queimadinha, portanto, não está apenas nas ruas e construções. Ela permanece nas histórias contadas pelos moradores, nas manifestações culturais, no trabalho das famílias e nos personagens que ajudaram a construir a comunidade ao longo do tempo.

 

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