Cantor e compositor relembra nomes que marcaram a produção artística do bairro e apresenta projeto que leva música às ruas da comunidade
A Queimadinha é conhecida não apenas pela sua história e pelo comércio, mas também pela forte presença da música e de artistas que construíram suas trajetórias dentro e fora do bairro. Durante o Projeto Meu Bairro em Pauta, exibido no programa Cidade em Pauta, da Rádio Nordeste FM, o cantor e compositor Perivaldo Oliveira da Cruz, o Pery Cruz, falou sobre essa tradição e destacou a diversidade de talentos que nasceram ou possuem ligação com a comunidade.
Para Pery, a música faz parte de sua vida desde a infância. A influência veio de casa, principalmente por meio do pai, que também tinha o hábito de ouvir música.
“Sempre gostei de música, sou apaixonado. Meu pai ouvia música e eu sempre me identifiquei”, contou.
Ao falar sobre a produção artística da comunidade, Pery cita diversos nomes ligados à Queimadinha. Entre eles estão o cantor Thiago Aquino, apontado por ele como um dos grandes destaques da nova geração, além do locutor Andresson Lima e outros músicos que atuam em bandas de diferentes estilos.
O cantor também lembra que a relação do bairro com a música atravessa gerações e gêneros. Segundo ele, artistas ligados ao forró, pagode, axé, arrocha, música afro, pop rock e MPB fazem parte dessa história.
“A Queimadinha é um bairro eclético. Aqui tudo canta, aqui tudo dá. Ela tem espaço para todos os gêneros musicais”, afirmou.
Na avaliação de Pery, a quantidade de músicos e grupos que surgiram na comunidade permite definir a Queimadinha como um verdadeiro celeiro artístico de Feira de Santana.
Ele cita ainda grupos percussivos e manifestações culturais que ajudaram a fortalecer a identidade musical do bairro, como o Bando Anunciador da Queimadinha, além de iniciativas que marcaram diferentes períodos da história local.
A própria trajetória de Pery passa por vários estilos. Antes de se dedicar principalmente ao arrocha, ele integrou bandas de pagode, suingue baiano, forró, pop rock, MPB e música afro.
“Já passei por banda de pagode, swing baiano, forró, pop rock, MPB e banda afro. Aqui tem de tudo. Por isso eu me sinto feliz e confortavelmente bem na Queimadinha”, destacou.
Atualmente, o cantor encontrou no arrocha o estilo com o qual mais se identifica, principalmente pela possibilidade de trabalhar temas ligados ao amor e ao romantismo.
Além da carreira musical, Pery desenvolve um projeto voltado diretamente aos moradores: a Resenha do Pery. A proposta é levar apresentações para locais onde o acesso a eventos culturais é mais difícil.
“É onde eu levo música até as ruas, para as pessoas que têm difícil acesso. Levo a minha arte através da minha música”, explicou.
O projeto já chegou à terceira edição e, segundo o cantor, tem recebido o carinho dos moradores. A iniciativa também representa uma maneira de fortalecer a cultura dentro da própria comunidade.
Pery pretende ampliar a proposta para outros bairros e conquistar espaço em eventos de maior porte, como a Micareta de Feira. Para isso, ele busca apoio e novas oportunidades para divulgar seu trabalho.
“Preciso de apoio para dar continuidade a esse projeto que eu amo tanto aqui na minha comunidade e tentar migrar também para outros bairros”, afirmou.
O cantor também mantém trabalhos disponíveis nas plataformas digitais e se prepara para retornar ao estúdio para gravar novas músicas dentro da linha do arrocha.
Além das gravações, Pery pretende ampliar sua presença em programas de rádio e televisão e participar de eventos que possam abrir novos caminhos para sua carreira.
Para ele, valorizar os artistas locais significa também reconhecer a história cultural construída diariamente pelos moradores.
“Eu agradeço a Deus todos os dias por me dar possibilidade e capacidade de cantar”, declarou.
Com sua trajetória marcada por diferentes estilos e experiências, Pery Cruz se coloca como parte de uma geração de artistas que ajudam a manter viva a identidade musical da Queimadinha — um bairro onde, segundo ele, “de tudo dá”.