Comerciante realiza festa natalina com ajuda de familiares, vizinhos e parceiros e busca apoio para ampliar a ação social em 2026
Na Queimadinha, em Feira de Santana, o espírito natalino ganhou um endereço especial. Conhecido pelos moradores como Souza do Mercadinho, Ezequiel Gil de Souza transformou um antigo sonho em uma ação social voltada principalmente para as crianças do bairro. Há cerca de 15 anos, ele alimentava a vontade de vestir a roupa de Papai Noel e proporcionar um momento de alegria para meninos e meninas da comunidade.
O projeto começou a sair do papel em 2024, quando Souza decidiu procurar amigos e fornecedores em busca de apoio. A iniciativa contou ainda com a participação da esposa, das duas filhas, dos dois genros e dos vizinhos.

“Eu sempre tive vontade de representar o Papai Noel do bairro, principalmente para as crianças carentes. Minhas condições financeiras nunca davam certo, mas eu não sou de desistir de um sonho”, contou.
A primeira edição foi realizada em 2024 e teve continuidade no ano seguinte. Agora, Souza trabalha para manter a tradição em 2026, mas afirma que a realização da festa depende novamente da colaboração de pessoas dispostas a contribuir.
A ligação de Souza com a figura do Papai Noel vem de muito antes da criação do projeto. Ainda jovem, ele costumava acompanhar ações natalinas e se encantava ao observar a interação entre o personagem e as crianças.
“Desde jovem eu tenho essa vocação. Sempre achei bonito. Você pega uma criança, coloca no colo e vê ela feliz. Dá uma bala, um brinquedo, uma bolinha, qualquer coisa, e ela fica feliz”, relatou.

Com o passar dos anos, ele percebeu que poderia transformar essa admiração em uma iniciativa própria. O objetivo, segundo Souza, nunca foi obter lucro, mas proporcionar experiências que muitas crianças da comunidade talvez não tivessem naquele período do ano.
“Eu não quero ter lucro em nada. Quero só arrumar para poder ver nossas crianças felizes”, afirmou.
A programação acontece no dia 25 de dezembro, a partir das 15h, na própria comunidade. A ação conta com autorização e apoio da Prefeitura para o fechamento da rua, permitindo que crianças, pais, avós e outros moradores participem da celebração.
Além da presença do Papai Noel, a festa oferece brinquedos, lanches, doces, refrigerantes e outras atrações. A cada edição, a organização procura acrescentar novidades.
“Cada ano a gente está inovando, colocando uma coisa diferente para a criança. As crianças ficam muito felizes”, explicou Souza.

Na edição anterior, por exemplo, foram distribuídas refeições para crianças e adultos. As filhas do comerciante também participam da preparação dos alimentos, enquanto outros familiares e parceiros contribuem com diferentes itens.
Para manter a festa e ampliar a quantidade de brinquedos e alimentos oferecidos, Souza busca patrocinadores e doações. Segundo ele, qualquer contribuição pode fazer diferença, mesmo que seja pequena.
“Eu preciso muito de patrocínio para poder comprar os brinquedos, os alimentos, refrigerante, salsicha, pão, bala, pirulito e essas coisas para dar para os meninos”, disse.
O comerciante ressalta que a ação é construída coletivamente e que a comunidade tem papel fundamental para que o evento aconteça.
“Pode ser meio quilo de bala. A gente está aqui para receber de braços abertos”, afirmou.

A festa, que começou como um desejo pessoal, acabou se tornando uma forma de retribuir o carinho recebido dos próprios moradores que frequentam o mercadinho.
“São meus clientes mirins. Compram aqui uma bala, um biscoito recheado. Então, de certa maneira, é uma forma de agradecer aos nossos clientes fazendo esse trabalho”, explicou.

Para Souza, a recompensa está justamente na reação das crianças. Ele lembra que, durante uma das edições, chegou ao local e encontrou a rua tomada pelos moradores.
“Eu acho que fiquei mais feliz do que os meninos. É bom demais, muito gostoso e muito gratificante”, contou.
Assim, entre doces, brinquedos e abraços, o comerciante pretende manter vivo o projeto e fazer do Natal uma oportunidade de celebrar a solidariedade e a união entre os moradores da Queimadinha.