Evento reúne moradores, músicos e foliões, movimenta o comércio local e busca consolidar espaço no calendário oficial de festas de Feira de Santana
A Lavagem da Queimadinha se tornou uma das principais manifestações culturais do bairro e chega à sua 13ª edição mantendo uma tradição construída pela própria comunidade. O evento, que começou entre 2011 e 2012 a partir de encontros de músicos e moradores, ganhou dimensão ao longo dos anos e hoje reúne milhares de pessoas em um momento marcado pela música, confraternização e movimentação do comércio local.
À frente da organização está Washington da Silva Andrade, conhecido como “Carlinhos Sempre Amigo”, que acompanha a evolução da festa desde os primeiros anos. Segundo ele, a iniciativa nasceu de uma mobilização comunitária e tinha inicialmente também um caráter social.
“A Lavagem da Queimadinha já tem doze anos de resistência. Estamos indo para a décima terceira. É um evento popular que, no início, tinha a preocupação de cuidar do povo através da arrecadação de alimentos”, explicou.
Com o passar do tempo, a proposta foi se transformando. A arrecadação de alimentos acabou ficando inviável diante do crescimento da demanda, mas a festa ganhou força como manifestação cultural. A presença de músicos e percussionistas do próprio bairro foi fundamental para esse processo.
“O bairro tem vários músicos e percussionistas. Eles fizeram uma resenha na praça e, a partir dessa resenha, tivemos a ideia de começar a oficializar esse evento”, contou Carlinhos.
A dimensão alcançada pela Lavagem surpreendeu até mesmo os organizadores. De acordo com Carlinhos, dependendo do ano, o evento já chegou a reunir mais de 100 mil pessoas.
Além da importância cultural, a festa também representa uma oportunidade de renda para trabalhadores informais. Vendedores ambulantes aproveitam o movimento para comercializar bebidas, alimentos e outros produtos.
“É importante para a economia local. Muitos pais de família têm nesse dia a oportunidade de vender uma água, uma cerveja e, no outro dia, ter uma renda para colocar o alimento na mesa”, destacou.
Outro diferencial apontado pelo organizador é que a Lavagem não cobra ingresso nem taxa dos vendedores ambulantes. A realização depende de parcerias com empresários, amigos e do apoio do poder público.
“É uma festa sem fins lucrativos. Nós não cobramos nenhum valor dos foliões e nenhum valor dos vendedores ambulantes”, afirmou.
Assim como aconteceu com diversas manifestações culturais, a Lavagem da Queimadinha precisou ser suspensa durante a pandemia de Covid-19. Foram dois anos sem a realização do evento.
Com a retomada das atividades, a festa voltou com força e teve o pagode baiano como uma das atrações do primeiro evento após a paralisação.
“Quando retornamos, foi com o pagode baiano. Foi o primeiro evento após a pandemia e foi um sucesso. Parecia que era a Avenida Presidente Dutra de tanta gente e tanta alegria”, lembrou Carlinhos.
Para ele, a retomada mostrou a força da tradição e a importância que a Lavagem conquistou entre os moradores.
Carlinhos defende que a Lavagem da Queimadinha passe a integrar oficialmente o calendário de eventos de Feira de Santana. Para o organizador, a medida ajudaria a garantir planejamento e recursos para a realização da festa.
“Espero que se torne um evento do calendário popular do município, uma festa que possa ter a responsabilidade da prefeitura todos os anos”, afirmou.
Atualmente, a organização precisa buscar apoio a cada edição para viabilizar estrutura e atrações. Segundo Carlinhos, uma participação permanente do poder público permitiria antecipar o planejamento e oferecer maior segurança para a realização da festa.
Mais do que uma celebração, a Lavagem representa, para a comunidade, um momento de encontro e valorização da cultura local.
“A princípio, é a união. É um evento que é só alegria, não tem violência. Se tivesse violência, não chegaria à décima terceira edição”, ressaltou.
Com mais de uma década de história, a Lavagem da Queimadinha segue sendo construída pela própria comunidade, reunindo cultura, música, lazer e geração de renda em uma das principais festas populares do bairro.