Há nove anos, Ione Santos transforma uma pequena cozinha em fonte de renda para a família e mantém o sonho de abrir um restaurante maior na Queimadinha
No coração da Queimadinha, em Feira de Santana, uma história de trabalho, persistência e solidariedade se mistura ao aroma da comida caseira. Conhecida como Tia Si, Ione Santos de Oliveira encontrou na venda de refeições uma forma de sustentar os três filhos e construir, aos poucos, o sonho de ter um restaurante próprio.
A trajetória começou há cerca de nove anos, quando Ione ainda enfrentava dificuldades financeiras e recebeu uma ajuda inesperada de um amigo. Segundo ela, os primeiros passos foram dados com apenas R$ 40 emprestados, dinheiro que serviu para colocar o negócio em funcionamento.
“Ele me emprestou quarenta reais e eu estou aqui até hoje. Pago tudo com isso, com a minha comida.”
Desde então, o pequeno negócio cresceu, conquistou clientes e passou a atender não apenas moradores da Queimadinha. Tia Si também prepara e entrega quentinhas para locais como o Fórum Eleitoral, o INSS e outros pontos de Feira de Santana. A clientela, segundo ela, chega de diferentes regiões da cidade, atraída pelo sabor da comida.
“Eu acho não, tenho certeza que é [boa]. Porque a pessoa lá no fim, tão longe, no Tomba, pede aqui”, brinca a comerciante.
A relação de Tia Si com o trabalho começou ainda na infância. Aos oito anos, ela ajudava a mãe vendendo geladinhos em oficinas. A experiência, porém, não foi fácil.
Depois disso, Ione passou a trabalhar com a venda de jaca e, ao longo dos anos, encontrou na alimentação uma oportunidade para seguir em frente. Hoje, ela afirma que não pretende abandonar a atividade.
“Eu só vou parar quando morrer. Enquanto estiver viva e tiver força de vontade, saúde, eu vou pra frente vendendo minhas coisas.”

Apesar de o negócio ainda funcionar de forma simples, Tia Si mantém planos ambiciosos para o futuro. O principal deles é transformar o empreendimento em um restaurante estruturado, com funcionários e capacidade para atender mais clientes.
“Meu sonho é ter um restaurante grande, botar funcionários para trabalhar comigo. Por enquanto eu não tenho condições de pagar funcionária”, conta.
Atualmente, uma ajudante auxilia na lavagem dos pratos e nas entregas. A própria família também participa da rotina do empreendimento, que se tornou a principal fonte de renda da casa.
Para Tia Si, além do esforço pessoal, a caminhada só foi possível graças ao apoio recebido de familiares, amigos, vizinhos e clientes. Em períodos de maior dificuldade, ela conta que sempre encontrou alguém disposto a ajudar.
“Todo mundo aqui me conhece, todo mundo aqui gosta de mim. Se eu precisar de uma ajuda, todo mundo aqui me ajuda”, afirma.
A comerciante cita especialmente a ajuda dos irmãos e de pessoas próximas que já contribuíram quando faltavam recursos para comprar os ingredientes necessários para manter a produção.
Essa rede de solidariedade, segundo ela, representa uma das principais características da Queimadinha.
“Até as pessoas que vêm de fora a gente aqui na Queimadinha abraça muito. Eu não tenho o que reclamar daqui.”
Entre panelas, quentinhas e muitos anos de trabalho, Tia Si segue construindo sua história. Mais do que um pequeno negócio, a venda de comida representa para ela independência, sustento familiar e a esperança de, um dia, transformar o sonho do grande restaurante em realidade.